Opinião
Uma quest�o de escolha
| Hiran Calheiros Malta * Diante de todos os fatos envolvendo mensalões, sanguessugas, adulterações de combustível, anões do orçamento e o mais recente intitulado de operação navalha, têm-se questionamentos a fazer. Quem somos? Qual a essência do ser humano? Será que a ética e a moral são elementos exógenos aos homens? Essas, dentre outras, indagações devem perturbar a mente daqueles que detêm o lado mais divino do ser humano. Com tantas interrogações martelando o cérebro daqueles que escolheram trilhar uma vida fundamentada nos princípios cristãos, pode-se afirmar que o homem é formado por uma essência pura, fruto de uma inspiração divina e que, por sê-la, tem o livre arbítrio, ou seja, liberdade de decidir, de agir, de escolher. A liberdade é o ponto onde se apresenta a figura divina, pois só o poder supremo pode conceber que a sua criatura escolha segui-lo ou não. Assim, pode-se concluir que podemos ser deuses e demônios, basta decidir o que queremos. Todos detêm em sua essência o poder de escolher, quando decidimos lutar por aquilo que acreditamos, havendo fé, teremos o resultado esperado. O grande problema ocorre quando a criatura, utilizando a liberdade concebida pelo criador, resolve seguir o caminho do eu. Ao abandonar o nós a criatura se torna um deus, deus de si próprio, esquece que sua existência só fora possível porque o outro se fez presente. A história demonstra claramente pessoas como Hitler, Mussolini e Idi Amin Dada, que se tornaram deuses de si próprios e outras, como São Francisco de Assis, Gandi, João Paulo II e, o maior de todos, Jesus, que decidiram ser deuses na figura do outro. Aqui se encontra o caminho que nos impede de trilhar no mundo da corrupção. A corrupção nos impede de ver o outro, através dela somos obrigados a trabalhar quatro meses e vinte dias por ano para pagar os tributos que propiciam os pagamentos das mais diversas propinas. Vivemos sem educação, saúde e segurança; somos vítimas de um sistema podre que suga o direito da criança ter uma boa formação escolar, retira dos professores o direito de salários dignos, tolhe o direito sagrado à vida e a saúde, remove aqueles que fazem a segurança pública para os gabinetes e lares daqueles que se dizem representantes do povo. Basta de inércia, chega de corrupção, devemos combater de forma enérgica os falsos profetas, aqueles que se vestem de pele de cordeiro, mas são verdadeiros sanguessugas que visam, única e exclusivamente, os seus interesses mesquinhos. (*) É advogado e professor.