Opinião
Pela sa�de - Editorial
O médico José Gomes Temporão assumiu o Ministério da Saúde este ano. Já na condição de ministro, disse que o Brasil não tem uma política de saúde, mas uma política de atenção à saúde. E uma política de saúde ideal deve pensar o que determina o surgimento de doenças, e como a sociedade deve se mobilizar para evitar o seu adoecimento. Ainda de acordo com ele, ?as pessoas normalmente pensam que o que determina o padrão de saúde de uma sociedade é o seu sistema de saúde. E não é. É a distribuição de renda em primeiro lugar, o acesso à educação, o acesso a emprego, moradia, saneamento ambiental, padrão alimentar, acesso à cultura, esses são os determinantes?. Mas são os governos que devem estar empenhados para os governados se sentirem realizados nesse sentido: os responsáveis pela execução das ações contra as injustiças e as desigualdades. Por providências para podermos comemorar os resultados de uma política de saúde pública ideal. A precariedade nessa área é sentida não apenas pela expressiva parcela da população vitimada pelos principais fatores das desigualdades sociais e regionais, da pobreza e da miséria. Como sabemos, ela também tem o direito à saúde garantida pela Constituição, mas enfrenta sérias dificuldades quando precisa até de um simples atendimento ambulatorial, inclusive nas capitais, onde muitas pessoas, inclusive crianças, têm morrido quando precisam de assistência médica. Apesar de termos o SUS, considerado um dos maiores e mais importantes sistemas de saúde pública do mundo, o povo, incluindo até as pessoas que dispõem de algum plano de saúde (em Alagoas são apenas 7% da população) convive com os transtornos e outros danos do caos nesse setor, nas portas, nos corredores dos postos de saúde, ambulatórios e hospitais e nas ruas. Com uma realidade revoltante e desumana.