Opinião
Transposi��o - Editorial
Apesar de concentrar cerca de 12% da água doce do mundo, o Brasil é um dos países no planeta mais afetados pelos problemas da má distribuição dos recursos hídricos. 20% da sua população mais pobre tem pior acesso à água e ao esgoto que os habitantes do Vietnã, de acordo do relatório Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2006. Só no Nordeste do País são cerca de 12 milhões de pessoas que sofrem com a falta de água, embora exista uma incontável quantidade de estudos e projetos apresentados, executados, interrompidos e rejeitados ao longo de séculos, objetivando o combate às causas dos dramas causados pelas longas estiagens na região. Consta que até o rei de Portugal chegou a providenciar a vinda de três caravelas com alimentos, remédios e ferramentas para minimizar as necessidades das pessoas vítimas das na então Capitania de Pernambuco. Enquanto isso, continuam as dúvidas sobre o programa de transposição do São Francisco com movimentos favoráveis e contra à idéia provavelmente defendida pela primeira vez por um deputado cearense ainda quando o Brasil era Monarquia. Mas, por mais que especialistas garantam que se trata de um projeto dos mais perfeitos tecnicamente e viáveis no aspecto econômico, suas obras não poderiam ser iniciadas e não podem continuar sem que sejam devidamente debatidos os questionamentos e as reivindicações em torno dele. Principalmente das populações ribeirinhas. É necessário insistir na revitalização das potencialidades do Velho Chico. É preciso dá a devida importância às observações, aos alertas de parlamentares, governadores, pelas lideranças da Igreja e uma série de outras instituições da sociedade civil organizada acerca dos possíveis benefícios e também de danos irreversíveis desse projeto que nasceu e cresceu cansando as maiores polêmicas.