Opinião
Jus esperneandi - Editorial
Divulgado o resultado da votação das sete maravilhas do mundo contemporâneo, vozes (do primeiro mundo) levantam-se para desqualificar o pleito. Gesto infantil, mas que demonstra que a tal eleição teve, realmente, algum valor. Evidente que é estúpida a comparação mecânica entre as sete maravilhas do mundo antigo com a atual eleição. Aquelas são maravilhas de um tempo imemorial, quase onírico - não fosse a sobrevivência pelos séculos afora das pirâmides do Egito. As demais, meia dúzia de coisas extraordinárias, estão tão longe de nossas vidas, que se confundem com a mitologia. Afinal, existe até quem não acredite em monumentos como o Farol de Alexandria, os Jardins Suspensos da Babilônia, o Templo de Ártemis, a Estátua de Zeus, o Mausoléu de Halicarnasso e o Colosso de Rodes. As atuais sete maravilhas globais, escolhidas pelo voto eletrônico, devem ser encaradas como uma simpática idéia (que também deve estar rendendo um bom dinheiro aos criadores da brincadeira, que já anunciam uma nova votação, desta vez para as ?sete maravilhas naturais do mundo?). Aos eleitos, como o Cristo Redentor, não cabe a ilusão que nos séculos vindouros tal laurel será reconhecido, ou mesmo lembrado. Os eleitores vitoriosos devem apenas festejar sua capacidade de cabala de votos na rede eletrônica. Mas a reação de importantes meios de comunicação da Europa e dos Estados Unidos, chorosos com a ?derrota? de seus candidaturas, como a Estátua da Liberdade, ou o Palácio de Alhambra, ou a Acróple (todas reais maravilhas de nosso mundo), confirma o peso da Internet e o valor de seus anúncios, mesmo quando não contêm nada de revolucionário. Para o Brasil, vitorioso com o Cristo Redentor, cabe - além de comemorar o resultado - apostar em sua própria capacidade de mobilização, pois votar é uma das maravilhas do mundo eletrônico.