Opinião
Perigos ao Norte - Editorial
Ainda bem que as entidades começam a despertar para a questão do uso do solo na região do Litoral Norte de Maceió. Apesar do tempo perdido e dos problemas possivelmente acumulados por baixo do tapete do silêncio, ainda é hora para se salvar algo. Infelizmente, a maleabilidade da legislação urbana em Maceió tem causado problemas vários, dificultando enormemente as tentativas de investimento mais arrojadas e responsáveis e facilitando a confusão e as espertezas. Um desses exemplos de fluidez legal está, por exemplo, na questão do número de pavimentos permitidos nas primeiras quadras da orla - onde, durante um bom tempo, havia um limite: seis andares. Hoje, alguém sabe exatamente quais os limites? Há relativamente pouco tempo, espocaram anúncios de construções de prédios de até 30 andares na estreita faixa de praia entre Cruz das Almas e Guaxuma. E, hoje, conforme noticiado em reportagem desta GAZETA no domingo passado, sites europeus propagandeiam vantagens de condomínios verticais espalhados exatamente por esse valioso Litoral Norte maceioense. Ninguém parece saber, com exatidão, quanto e o que está comprometido nessa importante área. Esse alheamento, se confirmado pelos poderes públicos, representa o maior dos perigos, pois confirma um portão escancarado para a predatória anarquia imobiliária. Daí, além de as entidades empresariais realizarem suas reuniões sobre o tema, é essencial que o Ministério Público e as entidades não-governamentais também se posicionem sobre esse problema: a quantas anda o planejamento urbano, quais são as normas vigentes, e o que já está aprovado para o Litoral Norte? Quanto mais tempo perdurarem dúvidas e ?certezas extra-oficiais?, mais perigos estão se consolidando sobre o futuro da capital alagoana em uma de suas áreas urbanas mais sensíveis.