Opinião
Al�m da imagina��o - Editorial
São muitas as preocupações e interrogações deixadas no ar depois do aparentemente atabalhoado seqüestro do prefeito do município de União dos Palmares. Uma primeira questão básica, segue sem resposta: como pode um grupo de bandidos, mesmo não sendo nativo da região na qual está praticando o delito, desconhecer o alvo? E mais, como desconhecer o prefeito de uma cidade interiorana? Soa inverossímil a explicação ?oficial? recolhida junto à polícia, dando conta de que simplesmente o bando teria confundido o prefeito com um agiota, este o alvo efetivamente pretendido. Tal confusão não é impossível de acontecer, mas - convenhamos - seria algo absolutamente incomum, pois mesmo que o mundo do crime esteja infestado de amadores e de aloprados personagens, um mínimo de organização e sentido de orientação persiste em operações desse tipo. Até os bandidos mais trapalhões procuram saber que casa devem invadir, qual o nome da vítima, como é sua aparência, etc. Depois, assaltar agiota não parece ser tarefa fácil, pois praticamente inexistem notícias sobre tal tipo de façanha, enquanto sobram reportagens sobre rapinagens de toda espécie, com o uso da mão armada até a construção de túneis complexos. Há quem diga que quando sobrevêm ações espalhafatosas na área da segurança pública, existiria algo mais no ar que simples aviões de carreira... Pelo sim, pelo não, as seqüências de crimes mais ou menos semelhantes (há tempos foi a temporada de caça aos restaurantes, hoje são seqüestros mirabolantes) deixam - além das usuais preocupações - a imaginação livre para especulações variadas. Seriam tais ondas produtos de ações orquestradas? E nessa hipótese o objetivo seria a desestabilização da cúpula da Segurança Pública? Ou vivemos ?apenas? uma realidade de funda anarquia?