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Mercado do del�rio e da loucura

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| José Medeiros * Sempre que ouço uma nova discussão sobre a proibição ou legalização do uso da maconha, sinto-me como se estivesse assistindo a um conto sobre a ?Hidra de Lerna?, a personagem mitológica que ao ter uma de suas cabeças cortadas, imediatamente, nascia outra em seu lugar. Maconha é uma hidra. Apoiar a descriminilização dessa ?erva maldita? não é boa contribuição para o bem público. Na década de 1970, eu era diretor do Centro de Ciências Biológicas da Ufal e inscrevi esta instituição no programa oficial de Professor Visitante, do MEC. Um dos nossos ?visitantes? foi o professor Ribeiro do Vale, chefe do Departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina. O mestre contou-nos um fato, que se não fosse tão grave, seria pitoresco. Certa manhã, ele fora chamado ao gabinete do diretor da faculdade, que, sem mais preâmbulos, foi direto ao assunto: ?Um operário da obra que estamos construindo na faculdade caiu ontem do 2º andar; fraturou uma perna e uma costela?. O professor ingenuamente perguntou: ? É meu parente o dito-cujo? O diretor riu e negou dizendo que o acidentado havia fumado um cigarro de maconha da plantação que o professor mantinha no jardim do laboratório. O professor Ribeiro ficou sério e não conseguiu entender como o operário havia descoberto a maconha que ele plantara para fazer estudos sobre possíveis propriedades medicinais. Um estudo, recentemente divulgado, mostra que o consumo da maconha aumentou de modo significativo. ?Num cálculo aproximado, cerca de 700 toneladas de maconha são consumidas todos os anos no País. O uso dessa erva quadruplicou em apenas 10 anos; seu consumo é maior entre adolescentes e jovens na faixa etária dos 16 aos 18 anos?. É o chamado ?mercado do delírio e da loucura?. Recuperação de tóxico-dependentes é um trabalho que mobiliza pessoas e entidades numa ação meritória. Usam isolamento, tratamento psicológico, medicação; e, além disso, instalam as chamadas ?Fazendas da Esperança,? que além de desintoxicarem, trabalham para que os dependentes redescubram a dignidade e a alegria de viver. Este é um drama de muitas faces que requer bom senso das famílias e de todos os que estão envolvidos na solução do problema. Fazendo mais um paralelo, a necessidade pede-nos que tenhamos a força, coragem e inteligência de Hércules, que na mitologia, foi o único capaz de derrotar a temida Hidra de Lerna. Mais uma vez, a prevenção é a palavra de ordem. (*) É ex-secretário de Saúde.

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