Opinião
Vende-se �gua
| Álvaro Menezes da Costa * Vendendo água de porta em porta, as companhias de saneamento cobrariam preços entre R$ 0,60 e R$ 2,00 por 1.000 litros. Esta mesma quantidade de água mineral custa de R$ 125,00 a R$ 150,00. Nas cidades onde falta água ou onde os condomínios, por economia, compram água de carros-pipa, 1.000 litros podem custar R$ 9,00, com o risco de se estar pagando por uma água de má qualidade. Assim, pergunta-se: como as companhias de saneamento podem sobreviver recebendo tão pouco pelo fornecimento de água diretamente até as torneiras das casas e apartamentos? Ou, sendo tão baixo o valor cobrado, por que elas não conseguem manter uma clientela fiel? Há uma só resposta e tudo começa com uma avaliação objetiva sobre a forma como o serviço público de saneamento ainda é prestado e a insistência em se querer impor uma visão assistencialista sobre o real negócio das prestadoras desses serviços, que é vender água e coletar esgotos, de modo que atendam aos interesses sociais, ambientais e ecológicos, obtendo um resultado financeiro que lhes permita cumprir também o seu papel empresarial. Na verdade, é ter como critério e cultura a valorização do produto entregue diretamente, por tubos e torneiras, ou do serviço que leva para longe das habitações os esgotos que tanto mal podem causar à saúde e ao meio ambiente. Não pagar pela água consumida ou querer pagar pouco é uma forma de colaborar para sua escassez e para a degradação ambiental, já que as perdas e o desperdício de água, muito elevados no Brasil, caracterizam o baixo valor dado a esse bem essencial à vida e, cada vez mais, de alto valor econômico. A desvalorização da água e dos serviços de saneamento está intimamente relacionada à própria gestão de muitas prestadoras de serviços gerenciadas com baixo nível de profissionalismo e voltadas para dentro delas mesmas com visões atrasadas de que podem tudo e, por isso mesmo, um salvador maluquinho e esperto fará por elas investimentos e gerenciamento, cobrando os mesmos valores irreais cobrados nos serviços públicos. Do lado cultural, é necessário romper o paradigma bem brasileiro, cada vez mais forte no lulismo, de que o que é público é uma coisa a ser manipulada por aqueles que estejam fortes sob os olhares lenientes da democracia anárquico - populista implantada no Brasil desde 2003. (*) É diretor comercial da Casal.