Opinião
P�nico do Planalto
EDUARDO BOMFIM * O governo, através do ministro Malan, vem adotando uma política extremamente irresponsável. O dólar sobe e as reservas nacionais sangram na tentativa de estancar a hemorragia da moeda. O Planalto busca impor uma certa filosofia fatalista aos rumos econômicos do País. Ou fica do jeito que está ou o caos. É o senhor da verdade absoluta, dono da pedra filosofal. Na verdade, o País nunca esteve em situação tão crítica. A tentativa desesperada de salvar a candidatura do senhor Serra vem aumentando ainda mais a fragilidade dos fundamentos da orientação econômica do Brasil. Recentemente, o dito ministro ameaçou as esquerdas. Disse que tem que se honrar os contratos e os compromissos internacionais. Condenou qualquer tentativa de correção de rumos, inclusive de uma auditoria sobre o montante das nossas dívidas, pública e externa. Insinua que as oposições são mais que imprudentes. Seriam insanas, capazes de rasgar dinheiro, papéis e contratos. O problema é outro. O instrumento da auditoria é consagrado mundialmente tanto em relação a iniciativa privada quanto aos negócios de Estado. Por que o governo central teme tanto a palavra auditoria? Quem não deve não teme. Cada brasileiro é detentor e paga de seu bolso, através de impostos e outras medidas, de uma parcela das dívidas externa e interna. O cidadão não teme, ao contrário, defende uma auditagem deste estrambólico passivo. Então, muito bem. O Brasil precisa retomar os caminhos do crescimento econômico, políticas públicas de redistribuição da renda, porque a seguir o rumo que aí está, nós vamos mesmo é fazer companhia à Argentina. E quantas oportunidades desperdiçadas. Tantos profissionais cheios de idéias, competentes, ávidos por servirem à sua pátria e aos seus Estados regionais. É praticamente um consenso o fato de que a nação tem um dos maiores potenciais energéticos do planeta, através da biomassa, portanto renovável e não poluente. Além da Petrobras. A questão do álcool combustível e do gás natural, diante de um mundo militarmente conturbado e sob o tacão das legiões norte-americanas, passam ao primeiro plano dos nossos objetivos estratégicos e geopolíticos. Alagoas, em particular, neste sentido, poderia receber um grande estímulo de desenvolvimento. O nosso maior problema seria fazer com que a retomada do crescimento fosse acompanhada de uma enérgica e planejada política de investimentos sociais e desconcentração da renda, promovendo o soerguimento do mercado interno através da oferta de empregos, salários dignos e reaquecendo a economia. Pari e passo, maciças aplicações em educação e saúde, inclusive a medicina preventiva, emergindo para a auto-estima e a esperança, uma população analfabeta e doente mais perfeitamente recuperável e produtiva. Estimular, através de incentivos e apoio, a produção de alimentos. Promover uma política justa de ocupação de todas as áreas agricultáveis ociosas. Investir no homem e na mulher, partindo do pressuposto de que nada vale se o objetivo final não for a justiça social mais ampla e profunda... Reafirmar a consciência crítica dos trabalhadores. Dado o grau de desregulamentação das atividades produtivas promovidas pelo neoliberalismo, indicar projetos emergenciais de gente de trabalho. Alagoas necessita transformar-se em um canteiro de obras. E nesta questão, nas atuais condições, 100 homens mais valem que um trator de última geração. Trata-se de um problema de escolha. É isto aí e muito mais, senhor Malan e patota. Não podemos permanecer nesta sua subserviência obsequiosa ao capital especulativo e reféns do seu pavor de uma auditoria sobre as contas do País. (*) É ADVOGADO