Opinião
Etanol na berlinda - Editorial
Ativistas do Partido Verde da Alemanha estiveram no Brasil para estudar o álcool combustível e participaram de debates sobre o tema. As ?preocupações? emitidas demonstram novas maquiagens das velhas concepções hegemonistas e comprovam a importância do etanol brasileiro nos cenários mundiais que se descortinam. O etanol não é uma panacéia. Existem vários problemas a resolver para que o álcool combustível produzido no Brasil venha a ocupar o lugar supostamente merecido no mundo. Dentre os óbices levantados para a realização de um salto qualitativo na produção de etanol do Brasil, alguns problemas listados merecem atenção e respostas práticas, tais como as questões ambientais, sociais, relação alimento/combustível, áreas a ocupar como natural conseqüência da explosão de produção, etc. Mas todos esses problemas devem ser identificados com o objetivo de serem resolvidos, deixando obstaculizar a correta multiplicação da produção de álcool combustível no Brasil. A meta brasileira é ser líder nesse mercado que se apresenta como perspectiva real para o futuro próximo. Porém, para outros pensadores, a questão se resume aos obstáculos ? sempre intransponíveis. Esses discursos deixam a impressão de que o Brasil deveria retroceder a época dos engenhos de rapadura, moendo nos paus das almanjarras. Um dos verdes germânicos foi incisivo em sua proposta: ?O Brasil deveria exportar tecnologia, e não etanol?. Uma límpida visão colonial. Se seguirmos esse sábio conselho, daqui a pouco estaremos importando álcool para alimentar nossos motores (também importados). É necessária muita atenção para distinguir-se as críticas que buscam o avanço e as que servem ao retrocesso. No caso do álcool combustível é melhor não se deixar embriagar pelo pensar neocolonial, seja verde ou cinza.