Opinião
Deveis ser santos e perfeitos
| Dom Antonio, O. Carm * É com esta proposta radical que o evangelista Mateus termina o capítulo 5 de seu Evangelho, dedicado às bem-aventuranças ou o sermão da montanha como muitos costumam chamar. Podemos também dizer que é este um convite universal para a santidade, como meta e objetivo da vida cristã e da inteira humanidade: ?Pois, a criação toda geme de dor?, como afirma Paulo em sua carta aos romanos. Li recentemente em um artigo de Paulo Gomes algo que me deixou muito pensativo: ?A recuperação da santidade do mundo exigiria a reaproximação com o divino, para cura de uma sociedade sem fé? (Época). O mesmo escritor acrescenta encerrando o seu belo artigo: ?O mundo sem fé exige constantes modificações para erigir uma ética da dignidade humana? (idem). O serviço da Igreja de Cristo ao mundo sedento de santidade e de valores fundamentais, é um serviço eminentemente sacerdotal. Pois as alegrias e as tristezas, as dores e as esperanças dos homens e das mulheres de nosso tempo são as mesmas dores, alegrias e esperanças da Igreja servidora de Cristo (Gaudium et Spes). É uma ação que chamamos de ação vigária, estar no lugar de. Esta é a típica ação sacerdotal de Cristo que morre em nosso lugar para que tenhamos, sem mérito algum de nossa parte, a inteira salvação e a vida. Em Jesus nós temos o modelo perfeito para o exercício deste ministério (serviço), é nele que vamos encontrar a perfeita unidade entre a missão que assumimos e a existência concreta de cada ser humano. Jesus vai ser visto pelos padres da Igreja primitiva, como o ?Reino de Deus em pessoa?! Tal unidade deve caracterizar a vida e a missão da Igreja de Cristo e, por conseqüência, a vida e a missão de todos os ministros da Igreja. ?Incessantemente e por toda parte trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, a fim de que a vida de Jesus seja também manifestada em nosso corpo. Com efeito, nós embora vivamos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, a fim de que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa carne mortal? (2 Cor. 4, 10-11). É o próprio Apóstolo que convoca a comunidade a imitá-lo neste modelo de vida cristã. ?Sede meus imitadores como eu sou de Cristo? (1 Cor. 11, 1). A fecundidade de nossa vida e da missão da Igreja vai depender sempre desta verdade fundamental de nossa fé. O lugar de nosso ministério é o lugar do exercício de nossa santidade. Nós nos santificamos com as realidades com as quais lidamos. A história não é secundária, é o lugar onde misteriosamente iniciamos nossa santificação. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.