Opinião
Para al�m das frases - Editorial
Tiveram boa repercussão as declarações feitas pelo presidente da República, em Olinda, quando do anúncio da liberação de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras em 20 municípios pernambucanos. Segundo o chefe do Executivo brasileiro, ?o Nordeste não pode continuar sendo a faixa no mapa brasileiro como reprodutor de pobres?. Como frase, tem lá o seu efeito, sem dúvida. Mas para mitigar a realidade histórica de dificuldades sociais do Nordeste, é-se necessário mais que intenções, declarações e falas contundentes. Se o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tiver condições de ser justo para com as regiões menos favorecidas socialmente, como o Nordeste, teremos aí uma oportunidade de equilibrar um pouco mais as oportunidades regionais de crescimento. O problema é que o governo federal terá de descartar as visões assistencialistas quando buscar adotar novas orientações de estímulo ao crescimento econômico regional. O Nordeste não terá como se desenvolver se suas particularidades não forem tratadas como parte de uma inovadora visão estratégica de desenvolvimento nacional. As próprias experiências registradas durante a existência de órgãos de desenvolvimento regional, como Sudene e Sudam, devem ser estudadas, em seus erros e acertos, para que uma nova prática política possa ser estabelecida o mais rapidamente possível. Uma ou outra obra financiada pelo PAC não vai alterar a realidade nordestina, até porque o grosso desses investimentos continua concentrado no Sudeste, ajudando a manter as disparidades regionais. Sem dúvida, o Nordeste anseia deixar de ser uma ?fábrica? de pobres. Sem dúvida, algo pode ser feito ainda neste mandato presidencial. Frases de efeito podem ser um bom começo, mas é preciso decisão política para se corrigir, de fato, erros seculares.