Opinião
C�u de brigadeiro? - Editorial
Horrorizado com a tragédia do vôo JJ 3054, o Brasil ainda busca respostas que possam conduzir a um rumo de resolução para o quadro dantesco no que se insere o transporte aéreo nacional. Tão ou mais impressionante que a desdita de anteontem, é o fato de tal desgraça ser recorrente. Todo o noticiário remete-se a comparações de ocorrências semelhantes estupidamente próximas umas das outras. Há dez meses, foi o vôo 1907, da Gol, cujo Boeing 737-800 despedaçou-se em pleno ar, supostamente em conseqüência de uma colisão com um jatinho Legacy. Um dia antes da catástrofe do Airbus da TAM, na mesma pista de Congonhas, uma outra aeronave, um avião ATR 43 da companhia aérea Pantanal derrapou, na mesma pista, e, por sorte, parou no gramado que serviu de ?acostamento?. E tem mais outras ocorrências, no mesmo Aeroporto de Congonhas: em 17 de janeiro deste ano, um avião da Varig (ponte-aérea Rio-São Paulo) derrapou na pista e paralisou tudo por 50 minutos. No ano passado, no dia 6 de outubro, um Boeing 737-300 da Gol derrapou quando chegava de Cuiabá (MT). A aeronave ? que só parou ao atingir o fim da pista, em trecho de grama ? ficou atravessada, impedindo pousos e decolagens por cerca de uma hora. Mais atrás, em março de 2006, foi a vez de um avião da BRA escorregar na aterrissagem e parar no canteiro final, às margens da Avenida dos Bandeirantes. Felizmente, nenhum desses acidentes deixou feridos. Avisos não faltaram. E depois da catástrofe de anteontem, o que se vai fazer para corrigir os graves problemas da aviação brasileira? A questão está colocada não apenas para o governo (fazendo política com o luxo em detrimento da segurança), mas também para as companhias aéreas (preocupadas em maximizar os lucros) e para as categorias aeroviárias (focadas apenas nos salários).