Opinião
Rotas equivocadas - Editorial
Ainda acompanhando a busca de mais vítimas entre os escombros da maior tragédia aérea da história do País, o Brasil anseia por explicações ? e, mais que isso, cobra providências objetivas, capazes de fazer frente ao caos aéreo. Neste momento, é importante serem distinguidos, em meio a uma verdadeira enxurrada de versões e acusações, os discursos viciados pelo sensacionalismo, pela emoção pura e pela politicagem. Nada mais natural tais desvios, pois o acontecimento é monumental, chocante, e a política não tem como ficar de fora dado ao caráter público da aviação comercial brasileira. Daí ser fundamental não se deixar levar pelos exageros espontâneos ou manipulados. Tem culpa, sim, o governo na questão central da ?crise aérea?. Mesmo que a tragédia do vôo da TAM, em Congonhas, possa ter a falha humana como uma provável causa, a política governamental para o setor está eivada de falhas, erros e omissões. E não de hoje que essa mesma política está sendo implementada para o transporte aéreo nacional. A bem da verdade, o atual governo está dando seqüência a uma linha praticada desde o fim dos anos 90, que, aparentemente, privilegia a aparência no lugar da essência, a suntuosidade em detrimento da segurança ? segundo o rosário de críticas desfiado há anos. O governo Lula tem a obrigação de ir além das explicações verbais. A cidadania exige mudanças de rota nas políticas para o transporte aéreo no Brasil. Tal constatação, porém, não pode ser usada como palanque pré-eleitoral, até porque o governo petista executa as políticas implementadas desde os governos de seus atuais opositores, quando faraônicos terminais de passageiros foram o mote das reformas dos aeroportos Fortaleza (1998), de Salvador (1999)... O mais importante é mudar essa velha política para o setor e evitar novas tragédias. As eleições decolarão a seu tempo.