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Opinião

Bem-vindo ao clube dos “analfabetos”

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| Yuri Monteiro Brandão * No mês passado, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) divulgou as notas das provas do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), que avaliam, sobretudo, a qualidade de ensino nas escolas públicas e privadas de todo o País, bem como o nível de aprendizagem dos alunos brasileiros. Dos mais de 5.000 cursos superiores avaliados, apenas 45 obtiveram um desempenho satisfatório. Tão vergonhoso quanto chocante esse resultado! E muito disso se deve, sem dúvida, à falta de hábito da leitura (e também da prática da redação) da atual juventude, em especial. Dentre os Estados com piores números, Alagoas desponta favorito, justificando o título deste artigo. Que surpresa! É perfeitamente aceitável, caro leitor, não se ter um grande gosto pela leitura ou pela escrita, mas é inadmissível permanecer, por anos a fio, nos primeiros lugares do ranking de ?analfabetos? e desaculturados. Como já dizia o poeta-passarinho Mário Quintana, ?o maior analfabeto é aquele que sabe ler e não lê?. Desculpe-me o recurso a essa frase, que já se tornou lugar-comum nas rodas de consciência burguesa. Ela se faz, entretanto, pertinente, porque, se os jovens brasileiros, em geral, já lêem pouquíssimo, os alagoanos... Debater acerca da leitura e do processo de produção textual é sempre salutar. A leitura é de fundamental importância a todos que desejem desenvolver uma consciência crítica e potencializar a capacidade cognitiva inerente a cada um de nós. Através dela, todos interagimos com outros povos, com outros contextos sociopolíticos, históricos, econômicos, sociológicos, religiosos, jurídicos; enfim, com outras culturas. Apenas dessa forma se torna possível, verdadeiramente, compreender os acontecimentos à nossa volta e alcançar a cidadania. Nesse sentido, indissociável da leitura é o processo de escrita (e reescrita). Redigir é, antes de tudo, um ato de reflexão, de consciência crítica. O comodismo avilta o pensamento e, com isso, o indivíduo torna-se rudimentar, à medida que se satisfaz com o corriqueiro, com o simplório, concorrendo para a deplorável vulgaridade. Amanhã ou depois, aqui ou alhures, assume novas feições, para melhor traduzir ? mais criticamente ? todo o concurso das atividades humanas. Diante do fascinante universo da comunicação e do pífio resultado apresentado, ficam o convite à leitura e o desafio da folha em branco, para que consigamos reverter ? urgentemente ? o anêmico quadro cultural dos nossos jovens: por enquanto, alfabetizandos das letras tortas. Até a próxima! (*) É concluinte de Direito na Ufal e professor de redação e filosofia.

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