Opinião
Um p�ssimo sinal - Editorial
Aos menos avisados, detalhes da cena pareceriam coisas de somenos importância, mas os gestos de solidariedade prestados a um acusado de tráfico podem significar um grave problema para a segurança pública. Deu-se a cena na localidade conhecida como Grota Santa Rosa, uma das ravinas maceioenses superpovoadas por famílias de baixa renda. Anteontem, quinta-feira, 19 de julho, a polícia realizou uma operação de combate ao tráfico e deteve um dos moradores dessa localidade, acusado de liderar a traficância, especialmente de crack, em todo Jacintinho. No endereço do acusado foram encontradas provas insuspeitas da atividade criminosa, como armas, equipamentos de laboratório e outros artefatos próprios desse tipo de atividade criminosa. Uma vez detido o acusado, a população fez sua manifestação. Porém, a grita era em condenação a iniciativa policial. A população, ostensivamente, defendia um cidadão pilhado como líder do tráfico. Qual a justificativa? Para os revoltados vizinhos, a justificativa da solidariedade era clara, transparente: o indigitado personagem praticava o assistencialismo à larga. Dinheiro em espécie e cestas básicas eram prova da generosidade do acusado. Qual a significação desse episódio? Nas grandes cidades, como Rio e São Paulo, o tráfico de drogas consegue se enraizar nas comunidades mais pobres exatamente usando essa tática: assistencialismo efetivo. Tal política criminosa tem como objetivo a substituição da máquina do Estado (que nunca mergulha nas grotas, nem sobe morros) e a conquista do apoio das populações pobres, que terminam servindo de escudos humanos e obstáculos vivos à ação policial. A consolidação de tal estratégia é um dos mais graves revezes à cidadania, pois representa a desmoralização da autoridade e da Lei. É um péssimo sinal que isso esteja acontecendo em Alagoas.