Opinião
V�os sem rumo - Editorial
Bom seria se esta semana iniciada hoje, viesse a ser marcada pelo tom de seriedade e respeito que merecem as vítimas da tragédia aérea brasileira. No calor da explosão infernal que destruiu a vida de cerca de duas centenas de inocentes, o oportunismo e o jogo politiqueiro desviaram o debate do adequado rumo de responsabilidade que a crise requer. De um lado, as forças de oposição buscam, sem quaisquer pudores, transformar os corpos calcinados das vítimas em um mero palanque eleitoral e esquecem-se, muitos dos atuais opositores radicais, de que fizeram parte, até seis anos atrás, dos governos que implementaram esse modelo de gestão do sistema de transporte aéreo. Enquanto governo, nos tempos FHC, muitas vozes oposicionistas de hoje, ficaram roucas de tanto elogiar a estratégia faraônica dos suntuosos terminais de passageiros cuja febre foi iniciada por volta de 1998. Do outro lado, o governo excede-se em inoperância, arrogância e gestos indesculpáveis como os exibidos, janela afora, por assessores íntimos do presidente da República. Como não é capaz de confessar-se um mero seguidor da política do governo anterior (que hoje lhe faz feroz oposição), e igualmente incapaz de implementar uma nova estratégia para o transporte aéreo nacional, o governo mergulha no jogo de empurra, buscando culpados sobre os ombros dos quais depositarão as centenas de cadáveres que se acumulam em tragédias aéreas de grande vulto. Nem situação, nem oposição parecem interessadas em enfrentar os interesses comerciais de empresas aéreas e empreiteiras. Pilotos, controladores de vôo, aviões, as próprias instituições, são fortes candidatos à bodes expiatórios. Enquanto isso, grassa a insegurança num dos mais importantes setores da economia globalizada ? o transporte aéreo. Até quando?