Opinião
Ora��o de S�o Francisco
Dom Antônio, O Carm.* Em nosso minúsculo ponto de observação sobre o mundo em que nos toca viver estes nossos dias, sentimos vários graus de desamor, um predomínio de situações violentas e agressivas. Vemos todos os dias os mais clamorosos atentados à vida e à dignidade do ser humano! A oração de São Francisco, cantada em nossas igrejas no correr de quase oito séculos, parece um grito na tentativa de reverter este quadro ora visto por cada um de nós e ora descrito. Francisco continua a ser um grito para sermos verdadeiros instrumentos de Deus para a edificação desta paz. Não a paz à maneira do mundo: ?Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz? (Jo 14, 27). Vamos repetir neste dia 26 de julho, dentro da audácia de nossa fé na vida que vence a morte, aquele gesto fundamental de Cristo na primeira eucaristia celebrada por Ele mesmo: ?Eu quis comer esta ceia agora, pois vou morrer, já chegou a minha hora!? A eucaristia que nos faz Igreja, nos leva a todos, reviver a centralidade da fé em Cristo Jesus Nosso Senhor: ?Vinde e vede, Ele está no meio de nós!? A fração do Pão da Eucaristia e a participação no banquete do Cordeiro, provocam em nós sentimentos efetivos de partilha, de solidariedade com os excluídos desta terra e de participação na construção de um mundo de paz e de uma sociedade justa e fraterna. A presença de Cristo ressuscitado na primitiva Igreja era a presença do Príncipe da Paz: ?Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja; daí-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade?! O Nordeste (e o mundo) gritam por paz. Precisamos urgentemente da civilização do amor! A natureza grita de dor por causa de sua sistemática destruição. Nossa cidade e nossos campos gritam de dor pela violência em todos os sentidos; falta terra, falta água limpa, falta saúde e educação, uma interminável lista de falta. É neste quadro bem concreto da vida de nosso povo que nossa Igreja Santa e Católica conclama: vamos construir um mundo de paz e no meio deste uma cidade de paz. Sim, Maceió cidade de paz! Conto com sua presença nesta celebração pela paz na Catedral de Maceió, recebendo neste dia 26 de julho, às 18h, a comunidade do Jacintinho! (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.