Opinião
Ignor�ncia opressiva - Editorial
Pareceria inverossímil que, em pleno século 21, 500 anos depois de ser colonizado, um Estado brasileiro ainda amargasse o analfabetismo em 50% de sua população. Desgraçadamente, tal desastre é verdadeiro e, infelizmente, esse Estado é o nosso. Produto de uma detalhada pesquisa, a reportagem publicada na GAZETA DE ALAGOAS, anteontem, expõe os números vergonhosos e busca uma réstia de luz neste quadro de escuridão. Segundo o Aurélio, escuridão - em sentido figurado - também quer dizer: ausência de conhecimento; ignorância. É esta exatamente a realidade na qual a maioria de nossa sociedade está mergulhada: de olhos vendados ao conhecimento, sem chance de enxergar um futuro melhor. Além da tragédia individual de mais de um milhão de almas, essa é uma tragédia para o Estado como um todo, pois com cerca de metade de sua população incapaz de ler e escrever corretamente, nenhuma comunidade pode almejar um crescimento digno. O sonho do desenvolvimento sustentado começa a virar pesadelo num dos Estados potencialmente mais promissores do Brasil. Ossifica-se o ?filé do Nordeste? em função da acumulação de erros políticos na definição (verdadeira) das prioridades dos governos alagoanos. E não se pode argumentar a ?falta de continuidade?, pois tem sido praxe a seqüência de aliados políticos, quando não as mesmas lideranças, por mais de um mandato no Palácio dos Martírios. Aí está o quadro de escuridade. Onde está a decisão política para dissipar essas trevas da ignorância? Em bom momento, antes de completar um ano de governo, a atual gestão está chamada a não perder mais tempo e ousar trilhar novos caminhos. Tempo há e aliados existem para essa cruzada, o que falta é decidir empreender essa guerra santa pela educação da maioria dos alagoanos.