Opinião
O filme do Pedro Onofre
| Lysette Lyra * Na última quinta-feira, fomos ao Teatro Deodoro assistir a um filme produzido pelo nosso confrade da Academia Maceioense de Letras Pedro Onofre, emérito escritor, sobretudo teatrólogo, ator de talento, que teve a ousadia de fazer um longa-metragem, todo rodado em Maceió, com artistas da terra. ?O Suicídio?, fita elaborada com recursos privados, primou pela qualidade da fotografia e harmonia da produção. Em se tratando de obra de amadores, é preciso valorizar o trabalho dos realizadores e dos artistas. A composição de uma película desse porte exigiu grande esforço da equipe de Pedro Onofre. De enredo trágico, mas bem concebido, trata de problemas atuais, que preocupam a sociedade: o desemprego que leva, às vezes, o ser desesperado ao nefasto uso das drogas e, em outras ocasiões, ao suicídio; na fuga equivocada de suas crises existenciais. O tráfico de entorpecentes tem desgraçado vidas, tornando-se, atualmente, um sério problema entre os jovens do mundo inteiro. É ele que arma o crime organizado, espalhando a violência que tem inquietado nosso país. A atuação dos artistas foi apreciável, sobretudo, em se tratando, na maioria, de amadores. O galã Antonio Freire, profissional da arte, teve desempenho seguro. Todos mereceram, com justiça, o aplauso da platéia que acorreu ao Deodoro. Durante quase duas horas estive entretida no desenrolar do enredo criado pelo acadêmico, na expectativa do desfecho. Depois do espetáculo foi servido um coquetel aos presentes, nos jardins do teatro. O que nos inquietou, entretanto, à saída do Deodoro, foi a presença de tantos marginais, alguns tontos de cheirar cola, habituás da localidade, pedindo esmolas, e a completa falta de policiamento no local. Eram 23h e não havia, em toda a praça, um guarda sequer! Numa cidade em que todos os dias os jornais noticiam algum crime, nos sentimos inteiramente à mercê dos delinqüentes. Pagamos os maiores tributos do mundo e as autoridades pouco se importam com o bem-estar do cidadão brasileiro. Tudo neste país parece andar de cabeça para baixo. Pelo menos o Pan tem se desenrolado sem problemas de segurança. Naturalmente porque o brasileiro adora esportes, ou porque há um policiamento responsável. Aliás, tem sido um belo espetáculo desportista. Esperamos que os estrangeiros levem uma boa impressão, embora enganosa, da paz em nosso país. Assim, talvez, mais turistas se aventurem a conhecer nossas plagas que são, deveras, maravilhosas! (*) É escritora.