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A �gua e as raparigas

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| Jorge Briseno * Um dos maiores desafios que um gestor público pode enfrentar é a definição correta e precisa das prioridades. Investir e concentrar esforços na educação de jovens é uma delas. No entanto, os marmanjos que me desculpem, educar meninas ou garotas é ainda mais eficiente do que educar jovens do sexo masculino. Há evidências de que a educação e a alfabetização das jovens tende a reduzir as taxas de mortalidade infantil, pelas iniciativas que mães mais instruídas adotam em relação à saúde dos filhos. Na Índia, por exemplo, um aumento de 50 pontos percentuais na taxa de alfabetização de mulheres permitiria redução da mortalidade infantil de 156 por mil para 110 por mil. Educar raparigas é também fator importantíssimo na redução das taxas de fecundidade, visto que estas taxas declinam em mulheres mais instruídas. Nos países onde o grau de instrução feminino é mais elevado, a taxa de fecundidade é menor do que 2 filhos por mulher. Em contrapartida, onde o grau de instrução é baixo, a taxa de fecundidade supera, com facilidade, 3 filhos por mulher. Nos países pobres, a liberdade que as jovens têm para freqüentar uma escola é tolhida, entre outros fatores, por executarem atividades que as privam do tempo livre para dedicá-lo aos estudos. Elas são impedidas de receber educação regular por ter grande parte do seu tempo destinado a tarefas domésticas, como buscar água em fontes distantes, para atender às necessidades de suas famílias. Nesses países esta é uma tarefa exercida, por fortes razões culturais, pelas garotas. Na África Subsaariana, metade das jovens abandona a escola devido à falta de água canalizada onde residem. As mulheres africanas gastam entre 15 e 17 horas semanais em busca de água. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estima que sejam gastos, por ano, na África, cerca de 40 milhões de horas apenas para buscar água. Isto equivale a um ano de trabalho de toda a mão-de-obra existente na França. Imaginem os franceses transitando pelas margens do Rio Sena, com latas de água na cabeça. No Brasil, 35 milhões não têm acesso à água tratada. A maior parte reside na periferia das grandes cidades e regiões da zona rural. Certamente, em sua maioria, as meninas e mulheres dessas famílias são encarregadas de abastecê-las com água. Não é sem motivo, portanto, que as pesquisas mostram que as mulheres atribuem valor maior às questões de abastecimento de água do que o atribuído aos marmanjos. (*) É diretor de Operação da Casal.

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