Opinião
Ouro para a vida
| José Medeiros * Que as atividades físicas trazem benefícios físicos e psicológicos não é novidade. No entanto, ainda nos surpreendemos quando tomamos conhecimento de que uma modalidade esportiva mudou o destino de alguém em uma situação de risco social. Basta recorrer ao passado e chegamos à conclusão de que a magia do esporte é um dado histórico. Para os gregos, a estética, o físico e o intelecto faziam parte de sua busca pela perfeição, ou seja, um belo corpo era tão importante quanto uma mente brilhante. Eles entendiam, também, que os jovens deveriam ter corpos capazes de resistir a todas as formas de competição. Nessa época, jamais poderiam imaginar que, na atualidade, para participar de competições esportivas nossos jovens têm de lutar contra a atração do álcool, das drogas e da violência. Os exemplos de superação pelo esporte são muitos, mas tomemos o caso do atual medalhista Diogo Silva. Criado na periferia de Campinas, na infância o esportista se mostrava uma criança briguenta, vivendo à mercê da própria sorte nas ruas, enquanto a mãe, manicura, tentava ganhar o pão de cada dia entre esmaltes e unhas. A energia do menino-atleta, que empregava sua força em socos e pontapés, tinha, em verdade, um imenso potencial que foi canalizado para a técnica de um instigante esporte asiático. A intuição materna captou a mensagem, não se conformando com o destino que se descortinava a seus olhos; esse destino tomou a forma de uma mão protetora que conduziu o menino briguento para a disciplina do esporte, permitindo que ele se tornasse um campeão, no taekwondo e na própria vida. Não restam dúvidas de que a prática esportiva atua no crescimento físico e, principalmente, no crescimento emocional. Rege a disciplina, à medida que ensina a lidar com vitórias e derrotas, medos e frustrações. Age na formação moral, ensinando a jogar limpo de acordo com as regras da ética esportiva. Atua no desenvolvimento da inteligência, permitindo encontrar soluções dos problemas para cada jogada; enfim, contribui para a formação da personalidade e autovalorização. Muito se fala em inclusão social. No Brasil, com uma população de 180 milhões de habitantes, torna-se necessário multiplicar os esforços do poder público, de entidades e pessoas dedicadas, para o trabalho de aproveitar jovens de futuro duvidoso, em entretenimento do esporte e da educação. Somente assim, entregaremos a outros Diogos a medalha de ouro para a vida. (*) É ex-secretário de Saúde.