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Estradas assassinas - Editorial

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Com toda razão, seguem adiante os protestos contra o caos aéreo. Nada mais justo do que a indignação da opinião pública, afinal, em apenas dez meses dois desastres com aviões de passageiros mataram quase 400 pessoas. Empurrados pelo temor do real perigo nos ares, passageiros se lançam ao sistema rodoviário - única alternativa disponível, posto que inexistem opções reais de transporte (de passageiros) ferroviário, marítimo ou fluvial. Mas aí reside um perigo bem maior, pois as precárias estradas brasileiras são muito mais inseguras que as rotas aéreas - mesmo nas atuais condições de caos generalizado. Segundo estudos do SOS Estradas, acidentes nas estradas brasileiras matam 35 pessoas por dia e ferem diariamente outras 417 vítimas (das quais 30 morrem nos hospitais, depois de socorridas). De acordo como o mesmo estudo, esse número alcança a horripilante soma de 42 mil pessoas morrem por ano vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. Tais números incluem acidentes ocorridos nas cidades, apesar de as estradas interurbanas e interestaduais serem as grandes vilãs. São números assustadores, mas o mais assustador é que semelhante terror não cause impacto junto à opinião pública. Talvez pela banalidade, afinal todo dia acontece algo como 723 acidentes nas rodovias pavimentadas brasileiras. Ou será pela condição social da maioria dos usuários do transporte rodoviário? O fato é que míngua a mídia e são desconhecidos protestos, cartas de mães, CPIs, declarações revoltadas de políticos e não se tem notícia de que algum assessor presidencial tenha feito gestos obscenos quando da divulgação de qualquer coisa sobre quaisquer dos milhares de acidentes que, todos os meses, superlotam os prontos-socorros em todo o País. É hora de o Brasil se indignar, também, com o caos rodoviário.

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