Opinião
Passando dos limites!
| Mirian Gusmão Canuto * Há menos de duas horas, chegava eu a Maceió, no Air Bus A320 da TAM procedente de Miami com conexão em São Paulo, felizmente em Cumbica ? Guarulhos. Ligo a TV e a perplexidade me envolve. Vejo um acidente aéreo com dimensões ainda não precisas, mas de cenário infernal. Volta à tona a tragédia com o Vôo 1907 da GOL: população chocada, passageiros revoltados, famílias de luto. Essa imagem reaparece numa freqüência assustadora! A rotina de sacrifício dos usuários é matéria assídua nos noticiários nacionais. Tudo já foi dito, denunciado, cobrado! O acidente da GOL viria a ser ?a prova do crime? de um governo que abandonou o setor aéreo do País. Dez meses se passaram? Nosso presidente, após três dias de censurado silêncio, anuncia enfim medidas para o caos aéreo. Tarde demais! Duas centenas de brasileiros tiveram suas vidas ceifadas. O aeroporto mais movimentado da América Latina já teve inúmeros registros de acidentes, sobretudo em dias chuvosos. Nenhuma providência! Aquela imagem do avião da BRA estacionado na cabeceira da pista impressionou o telespectador. O governo talvez não tenha tido tempo de vê-la! Melhor ignorá-la! Mais cômodo omitir-se! O ministro da Defesa é figura decorativa. A ministra do Turismo viaja em jatinhos particulares e debocha do povo brasileiro, confundindo seu atual cargo com o de sexóloga vulgar. O Fantástico exibido pela TV Globo no último dia 22 anunciou a decisão dos comandantes das companhias aéreas TAM e GOL de não pousarem em Congonhas nos dias chuvosos. A Varig aderiu ao pacto. Parabéns, comandantes. Num país acéfalo, as categorias precisam se proteger e ajudar a população a fazê-lo. O desespero do final da tarde de 17 de julho poderá ter múltiplas causas: falha técnica na aeronave, erro do comandante etc., mas um fato é evidente: se não fosse o pouso em Congonhas, essas vidas provavelmente teriam sido poupadas. São gravíssimas as declarações dos comandantes: ?Pousar em Congonhas é assustador?; ?A sensação é de estar pousando num porta-aviões?. Inacreditável: um prédio de onze andares, com 50 metros de altura, foi erguido a 600 metros do aeroporto na linha de pouso. Congonhas ultrapassou os padrões de segurança e de sua capacidade de operação. A irresponsabilidade pública vem passando dos limites diante dos cidadãos brasileiros. (*) É médica e empresária de Turismo.