Opinião
A desfaveliza��o de Jaragu� um desafio � urbe
| Benedito Ramos * Criar um pólo de produção de artesanato, semelhante ao do Pontal da Barra, fazendo da Praça Dois Leões um ?point? para mostra e execução de peças, se tornaria uma atração turística, uma vez posicionada estrategicamente na rota dos ônibus de turismo. Partindo de um projeto já existente: o Coro dos Pequenos Cantores de Jaraguá, da Associação Comercial de Maceió junto com o Sebrae ou APL de Cultura e a associação de moradores, seria feito um estudo vocacional da demanda existente. As mulheres passariam por um período de capacitação com noções de design, estimulando a criatividade e definindo a linha de peças que seriam trabalhadas. Mas a Vila dos Pescadores, enquanto favela, desfavorece completamente as ações de melhoria de qualidade de vida, pela sua vulnerabilidade ao uso e venda de drogas assim como outras atividades ilícitas, que muitas vezes se escondem entre as famílias que ali existem. Por outro lado, os projetos vislumbrados até então, para transformação da área, tem entrado em choque com os anseios da população que não deseja sair do local. Há de se observar que grande parte dos moradores é formada por famílias de pescadores, vendedores de peixes e mariscos, que fatalmente são nivelados aos marginais ali infiltrados. Ações de responsabilidade social que possam ser divididas entre empresas sediadas no bairro de Jaraguá podem ajudar, sobremaneira, a reduzir o nível de exclusão social e motivar o poder público a promover melhoramento nas condições de vida daquela população sem tirá-la de seu local de trabalho. Isto, sem dúvida alguma, transformaria Jaraguá num grande empório de produção de artesanato, que poderia servir para povoar espaços vazios, abandonados pelos bares e restaurantes. O local agora, com a pista dupla da Cícero Toledo, será bastante beneficiado, sobretudo se os ônibus de turistas voltarem a circular por Jaraguá. Por que não transformar a favela em uma Vila de Pescadores, com casinhas coloridas, com roupa estendida, crianças brincando, pescadores fazendo suas redes, semelhante a tantas vilas de pescadores de Portugal ou Itália que são uma atração à parte, nos roteiros turísticos? Aquelas pessoas não precisam sair dali. Há tanto lugar vazio no próprio bairro, tantos armazéns fechados, ruínas, lugares que poderiam fazer valer a palavra ?revitalização? no sentido amplo: dar nova vida. Vida é gente circulando com suas ocupações diárias. Tirar da paisagem a favela de Jaraguá é um desafio à urbe, e ficará na história quem o fizer. (*) É escritor ([email protected]).