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O Pa�s das hienas

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| Ronald Mendonça * Definido como um texto descomplicado e digerível para ser lido entre um gole de café e uma mordida de pão, o gênero crônica é sempre um desafio. Neófito, esforço-me para encontrar o ponto de equilíbrio. Dentre as inúmeras lições emanadas dos meus poucos e mais ou menos fiéis leitores, tento seguir aquela que garante que o nível de chatice da prosa é proporcional à quantidade de nomes citados. Por pura incompetência, como hoje, frequentemente transgrido essa regra. Hienas, como sabem, são temíveis criaturas em extinção que vivem aos bandos. Até a recente avosidade, delas pouco sabia além da sinistra gargalhada, não obstante a preferência dietética por matérias orgânicas decompostas. ?De que sorris, hienas?, perguntava o comediante. Com as desgraças se repetindo no crônico desmantelo na aviação comercial do País, lembrei-me de registrar as hienas mais conspícuas da atualidade. Cada hiena com seu estilo. Nero, consagrado pela tradição como o sujeito que incendiou Roma, tirava acordes de delicada cítara enquanto a cidade ardia. Sem chegar a tanto, consta que nosso Lula recauchutava a pálpebra nos exatos momentos em que 200 brasileiros viravam tição em Congonhas. Flagrado pela imprensa no instante em que se noticiava que o acidente da TAM poderia ter como causa um defeito mecânico do avião, um certo Marco Aurélio Garcia, titular do time presidencial, comemorou a novidade com gestos manuais obscenos. O auxiliar ao lado imitava o chefe com coreografia que incluía espasmos musculares de igual teor metafórico. Era o retrato sem retoques da postura governamental. Brincando com fogo, o doutor Valdir Pires, abstrata e ridícula figura decorativa, simulacro do Conselheiro Acácio, cansou de prometer providências ?rigorosas? e ?imediatas?. Dias antes, a sexóloga Marta Suplicy, ministra do Turismo, com congelado sorriso de botox, debochada, já recomendava aos humilhados usuários dos transportes aéreos ?relaxar e gozar?. Outra figura repelente é a do sorridente sociólogo presidente da Agência Nacional da Aviação Civil. Por cima da carne seca, ironicamente condecorado pela Aeronáutica 3 dias depois da tragédia da TAM, de quebra, o ?risadinha?, abrigado por esdrúxula lei, é irremovível do seu cargo. Em nível local, a greve dos médicos tem revelado sequiosas personagens que espreitam cadáveres, para lançar culpas nos profissionais demissionários. Nesse País há hienas para todos os gostos. (*) É médico e professor da Ufal.

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