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Opinião

A sa�de pede socorro

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| Milton Hênio * O Brasil tem sido perverso com o seu povo no que toca a assistência à saúde. O pobre tem morrido na rua em muitas cidades brasileiras. Em Alagoas, atualmente, a situação tem sido preocupante. Os médicos em greve numa atitude de desespero e como última alternativa pedem demissão de seus empregos seguros, por estarem profundamente decepcionados com os minguados vencimentos e as péssimas condições em seus locais de trabalho. E instalou-se uma situação difícil de solução porque o governo não cede aos apelos dos médicos e o povo vai sofrendo, inegavelmente, com a falta de atendimento. Este precário estado de saúde do povo brasileiro é conseqüência de uma política econômica que escolhe a contenção salarial e a deterioração das condições de trabalho como rotina. Há anos, falar de saúde pública no Brasil significa falar em superlotação nos hospitais, filas intermináveis, falta de meios materiais e humanos e precariedade de atendimento primário em postos de saúde e em laboratórios. O problema não é de hoje, claro. Só que agora mais do que nunca, ele carece de soluções urgentes. Aqui em nossa querida Alagoas, 93% da população depende exclusivamente do sistema público de saúde. Portanto, praticamente quase a população toda. Uma situação que pode ser considerada ainda crítica, mais grave se considerarmos os conceitos de saúde pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Para a instituição, saúde implica em conjunto de fatores que envolvem habitação, tratamento de água e esgoto, alimentação adequada, imunização, diagnóstico e tratamento das doenças. E nesses pontos o nosso nordestino está a zero. Outro contraste: o Brasil sendo uma das dez maiores economias do mundo, ostenta indicadores de saúde que o colocam entre os mais atrasados da Terra. O Brasil investe em saúde aproximadamente 120 dólares por habitante e por ano incluindo os gastos das três esferas do governo. A França e o Canadá 1.800 dólares e os Estados Unidos 3.000. O médico do serviço público de Alagoas e do Brasil em um todo, sente-se duplamente espoliado: pela responsabilidade de várias vidas em um trabalho exaustivo e pouco remunerado e pelas parcas condições onde trabalha. Quais as soluções? O que deve ser feito? Que medidas devem ser tomadas para que o povo tenha um atendimento condigno quando a doença lhe bater à porta? Que respondam os nossos políticos e governantes. O povo aflito espera esse momento. (*) É médico ([email protected]).

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