Opinião
Talento alagoano
| Luiz Barroso Filho * A exposição negativa de Alagoas na mídia nacional, por qualquer motivo e envolvendo quem quer que seja, sempre provoca o comentário indignado das pessoas nos bares, consultórios médicos, barbearias, velórios; enfim, em toda parte: ?Alagoas só aparece lá fora desse jeito!? Apesar de estigmatizada como a terra da violência, da miséria e da corrupção, ?a mimosa morena do Nordeste? (epíteto criado pelo padre Júlio Albuquerque, um dos fundadores da Academia Alagoana de Letras e autor do festejado livro ?Alma das Catedrais?), na verdade, é um Estado exportador de talentos que, ao longo do tempo, vêm merecendo o reconhecimento do País, pela importância das suas realizações. Todavia, muitos desses valorosos conterrâneos ainda são desconhecidos do grande público, até mesmo aqui. Personalidades do porte do antropólogo Artur Ramos, do jurista Pontes de Miranda a da psiquiatra Nise da Silveira são exemplos de filhos notáveis gerados pela ?mimosa morena do Nordeste?. Entre outros alagoanos que se destacam no cenário nacional estão Graciliano Ramos, incluído na relação dos maiores romancistas de todos os tempos, e Jorge de Lima que, igualmente, integra a galeria dos melhores poetas brasileiros. Além desses, o dicionarista Aurélio Buarque de Holanda e o poeta Lêdo Ivo figuram, sem dúvida, entre os nomes mais significativos da nossa literatura. No âmbito musical, Alagoas é bem representada por Heckel Tavares, Hermeto Pascoal e Djavan, autores de trabalhos de excelente qualidade. No campo esportivo, Mário Jorge Lobo Zagalo, Edivaldo Alves Santa Rosa (Dida), campeões mundiais de futebol, e Marta Vieira da Silva, atualmente a melhor jogadora do mundo, engrandecem o nome do Estado. Da lista dos alagoanos que se celebrizaram e ganharam prestígio no País constam também o cantor Augusto Calheiros (A Patativa do Norte), o compositor/cantor José Luiz Rodrigues Calazans (Jararaca) e o premiado cineasta Cacá Diégues. Os atores Sadi Cabral e Jofre Soares, que participaram de vários clássicos do teatro e do cinema brasileiros, também são alagoanos Considerando as adversidades enfrentadas por um Estado pequeno, pobre e discriminado, a parcela de contribuição desses personagens para desenvolvimento das ciências sociais, das artes e do futebol no Brasil tem sido relevante e motivo de orgulho para todos nós. (*) É advogado, membro da Academia Maceioense de Letras e da Comissão Alagoana de Folclore.