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Cidadania sangrada - Editorial

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Ao serem contrapostas as duas principais notícias de ontem, no segmento segurança pública, tem-se como resultado um resumo dos problemas alagoanos nesse setor. Na coluna ?haver?, destaca-se a prisão de uma quadrilha de assaltantes, em flagrante, frustrando o que seria mais um assalto a banco. Inclusive, dentre os bandidos presos está um policial (cuja expulsão já foi anunciada). Na coluna ?deve?, o destaque é a fuga em massa de detentos no presídio Cyridião Durval. Onze presidiários ? um time completo ? ganharam às ruas na marra. Pelas regras mais simples da aritmética, o saldo é negativo. Cinco menos onze é igual a menos seis (5-11 = -6). Pelas regras, mais complexas, da correlação de forças numa sociedade organizada, é certo que o resultado dessa operação não só mantem-se negativo como fica configurado uma quantidade negativa ainda maior, pois outros valores (como a desmoralização dos poderes públicos, a exposição de uma fragilidade do sistema prisional, a crescente sensação de insegurança, etc.) são adicionados como pesos negativos. Resumindo: nosso prejuízo, enquanto sociedade, é muito grande. E, mais grave: nosso dano social é crescente. Talvez não esteja completamente falido o conceito da segurança pública; mas, certamente, Alagoas está mergulhada, de cabeça, numa insolvência profunda de sua defesa social. Não sobrevém a falência completa da estrutura de defesa social porque a própria sociedade resiste e, depois de tomados os encaminhamentos adequados, o tecido da segurança pública pode ir sendo paulatinamente recuperado. Porém nada indica que tal processo regenerador esteja sendo implementado em Alagoas. Todos os indicadores expõem um permanente agravamento da insegurança pública, e o crescimento da desenvoltura e do poder real dos criminosos.

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