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Opinião

Em busca de culpados

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| RONALD MENDONÇA * Embora o satanás lidere a lista dos grandes responsáveis por tudo de ruim que ocorre, desde a extradição de Adão e Eva até a eclosão do tsunami, nada é mais antigo e humano que procurar culpados para explicar as desgraças do planeta. Com o ego dilacerado por sucessivas vaias, Lula, depois de insinuar que os apupos na cerimônia de abertura do Pan teriam sido orquestradas pelo desafeto César Maia, mudou de idéia. Agora tem certeza de que os estímulos às inamistosas recepções partiram de banqueiros e grandes comerciantes, ?justamente os grupos mais privilegiadas pelo meu governo?. Beneficiários de uma política econômica perversa, se o presidente estiver com a razão, não será a primeira vez neste País que protegidos cospem no prato onde comeram. Lembro do bem-intencionado Dílson Funaro. Tido como um dos pais do Plano Cruzado, estratégia para tentar acabar com a inflação, Funaro foi seu principal fiador. Tudo ia bem até que populares travestidos de ?fiscais do Funaro? foram fuçar bois gordos nos pastos dos latifundiários. O heterodoxo Plano Cruzado tornou-se, por conta dos bois, um retumbante fracasso. Aqui na província, não fora a inteligência e a sensibilidade da equipe governamental, a coisa poderia estar bem pior. Aliás, auxiliares competentes e acima de qualquer suspeita não faltaram nas últimas gestões. De fato, olha-se pelo retrovisor e o que se vê é uma plêiade de abnegados e honestos servidores públicos exercendo funções de primeiro escalão com uma compostura quase nórdica. Não é por acaso essa explosão de desenvolvimento. A felicidade nunca é completa. Depois da polícia e dos professores, chegou a vez dos gananciosos médicos se manifestarem. Com pedidos de demissão em andamento, a classe está em compasso de espera. Enquanto isso, foram divulgados os gastos do governo, cuja distribuição segue rigorosa equidade republicana. De fato, cortando na carne viva, seria uma indignidade condenar os irrisórios 8 milhões de reais mensais do Legislativo. Imaginem se a Casa de Tavares Bastos poderia exercer sua sagrada missão com verba de inferior valor? Doutra parte, como pensar no firme, constante e insuspeito papel de paladino da moralidade do Tribunal de Contas sem a merreca (4 milhões) a ele destinado? A Justiça, coitada, é outra desvalida. Com um super-salário de mil reais, a dolorosa conclusão é que ambiciosos médicos estão querendo extrair absurdas vantagens de um Estado exaurido, mas honrado. (*) É médico e professor da Ufal.

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