Opinião
O canal adutor do Sert�o
ÁLVARO MENEZES * O Estado de Alagoas vem realizando há mais de dez anos a obra conhecida como Canal Adutor do Sertão. Para a engenharia e para os técnicos, é um orgulho: vazão de 32 metros cúbicos por segundo ou dez vezes toda a água produzida em Maceió; 250 quilômetros de extensão, mais que a distância de Maceió a Recife e 16 metros de largura superior, além de muitas obras especiais. Tem a missão de levar água do Rio São Francisco por todo Semi-árido e Agreste alagoanos até a cidade de Arapiraca, dividindo a vertente san-franciscana caprichosamente ao meio e ao limite das regiões leste e oeste do Estado. É um grande projeto e uma grande obra. O maior objetivo dessa obra é, dizem os seus defensores, viabilizar o Semi-árido e o Agreste alagoanos a partir da disponibilidade garantida de água para irrigação, piscicultura e abastecimento urbano, seja ele doméstico, comercial ou industrial. Na verdade, é um projeto de desenvolvimento integrado que poderá custar até R$ 1 bilhão, rivalizando em todos os sentidos com o Eixo Leste da tão falada transposição das águas do São Francisco. Surpreende observar que um projeto tão importante não tenha conseguido despertar a atenção de bancos de desenvolvimento como o Bird, o BID, O JBIC, o Kfw ou até o BNDES, sempre tão interessados em bancar projetos que associem resultados sustentáveis para áreas pobres e subdesenvolvidas com investimentos. Intriga também ver que até hoje, mais de dez anos após seu início, não se conheça qualquer intenção de grupos empresariais de verdade interessados em bancar investimentos em projetos de irrigação para aproveitamento das águas do canal. É interessante lembrar que o Ceará vem há anos recebendo recursos financeiros do Bird para fortalecer o seu sistema integrado de gestão de recursos hídricos, onde transposições foram feitas e grandes adutoras implantadas. Uma obra como essa não pode ser tocada com as circunstanciais verbas de emendas parlamentares nem ser encarada com uma obra social voltada para o assistencialismo. Menos ainda, como obra para atender as demandas urbanas para consumos domésticos. É uma obra que exige resultados e cobrará, para se viabilizar, profundas mudanças na gestão pública do Estado, que necessitará ter para a região a ser beneficiada com o canal um plano de desenvolvimento para a implantação de empresas que possam gerar empregos e riqueza a partir de modelos como o de Petrolina, por exemplo. (*) É engenheiro civil e diretor-comercial da Casal.