Opinião
V�timas de sempre - Editorial
Novamente, Alagoas vive dias carregados de tensão derivados de conflitos entre segmentos de funcionários públicos e o governo do Estado. Mais uma vez, a população sofre danos causados por greves nas áreas essenciais como as da saúde e da segurança ? há poucos meses, a mesma situação flagelou as muitas milhares de famílias que dependem da rede pública de educação. E quais as perspectivas para esses quadros conflituosos? Quais novas propostas têm sido apresentadas pelos grupos beligerantes? Nada de novo tem sido proposto ? seja pelo governo, seja pelos sindicatos ? ou, se novas saídas têm sido tentadas, não são divulgadas. A bem da verdade, cada um dos lados tem suas razões, constroem suas proposições tendo como base números reais, anseios verdadeiros, objetivos claros. Mas é igualmente verdade que governo e sindicatos batem-se através de propostas excludentes e aparentemente inflexíveis. Desde antes do início das rodadas de negociação, a única certeza é a incomunicabilidade dos dois lados da mesa, deixando no ar a nítida impressão da impossibilidade de acordo, pois o corolário anunciado é o da capitulação do lado contrário. Quem vai perder? Quem vai ganhar? Quem vai recuar?... A única resposta que pode ser antecipada, em tal estado de coisas, é quem vai se prejudicar. Resposta inelutável: o povo é o maior prejudicado. No lado dos grevistas, faltas podem ser abonadas, salários devem são pagos (mesmo diminutos). Do lado do governo, apenas o desgaste político pode ser registrado. Mas quando falta saúde, educação, segurança pública... Os prejuízos são irrecuperáveis. Alagoas têm sofrido enormes prejuízos ? muitos irreparáveis. É hora das lideranças políticas (governos, oposições, sindicalistas...) tentarem minorar os danos impingidos ao povo deste Estado.