Opinião
A crise na sa�de
| LYSETTE LYRA * Os ordenados públicos no Brasil apresentam uma disparidade revoltante. Enquanto alguns setores ganham salários exorbitantes, outros recebem ninharias. Não há uma equivalência justa, de acordo com a competência de cada um. Sou viúva de médico, mãe de médico e avó de três médicos. Conheço muito bem o quanto é difícil vencer nessa carreira e quão dispendiosa ela é. São seis anos de faculdade, mais quatro de pós-graduação em grandes centros ou no exterior. Ainda há a conveniência do diploma de mestrado e mais o de doutorado, sem contar os plantões insones e a responsabilidade de ter nas mãos, sob seus cuidados, vidas humanas. Sem falar nas despesas com aparelhagens, geralmente importadas, que se fazem necessárias em certas especialidades, para o exercício da profissão. Para ser um médico particular, independente de empregos, há que ser muitíssimo competente, quase genial, pois hoje em dia, a maioria das pessoas, possuem um plano de saúde. Os serviços públicos pagam parcos salários, além de não oferecerem condições adequadas para que o médico exerça sua profissão com dignidade. Os hospitais ficam cada dia mais insuficientes para atender à população, e estão mal aparelhados. O pouco material que têm, não recebe assistência técnica, faltam medicamentos, enfim o abandono é total. A saúde muito se recente da atenção dos governos em todo País. Os mandantes da administração pública querem fazer do esculápio um pária da sociedade. Esquecem que ele estuda a vida toda, tem que freqüentar congressos para se atualizar e paga impostos. Não avaliam que come, que tem família para cuidar, que tem o direito de viver como todos os outros cidadãos brasileiros. Anualmente o Legislativo, o Executivo, o Judiciário, o Tribunal de Contas, e outros órgãos privilegiados elevam seus salários a níveis incríveis, mas os médicos dos serviços públicos, não possuem esse direito, devem se contentar com as merrecas que o governo lhes dá, além de não lhes oferecer condições dignas para o trabalho. Muito justa, portanto, a greve dos médicos; corajosa essa demissão em massa. Pena que os pobres sempre sejam os prejudicados, mas o governo precisa sentir que a classe é de profissionais que custam caro, não são uns pobres coitados para se sujeitarem a míseros ordenados. Precisam ser valorizados. Que grande desaforo quererem processá-los e exonerá-los por justa causa, como se fossem lacaios do governo! A união faz a força, recebam os aplausos da maioria da sociedade. Vivemos numa democracia, não aceitamos atitudes de ditadores. (*) É escritora.