Opinião
Uma atividade e seus percal�os
| MARCIO DE VASCONCELLOS * É uma narrativa com história que tem como palco o segundo semestre do ano 2001 tendo como protagonista o turismo regional. As adversidades foram surgindo começando pelo 11 de setembro, quando aconteceu o atentado terrorista às torres gêmeas, na cidade de New York, de triste recordação, pois ceifou vidas humanas. Adiante tivemos na área comercial: o fechamento da Soletur, segunda maior operadora de turismo do País; a desativação da companhia aérea Transbrasil mergulhada numa crise de conseqüência irreversível; e finalmente, a quebra da economia argentina. Nunca em nossa vida de participação na hotelaria regional tínhamos passado por tamanha crise, pois o somatório dos fatos citados provocou uma acentuada queda na ocupação. A hotelaria é uma atividade sensível e podemos afirmar que depende fundamentalmente dos ventos da economia, da sazonalidade, da natureza e das facilidades que se proporciona, além do apelo calcado naquilo que o destino oferece. O que dizer de um destino que depende do transporte aéreo? Num País de dimensões continentais, com as rodovias em situação precária (e sem possibilidade de recuperação em médio prazo tamanha é a incompetência dos órgãos governamentais), nada nos resta, senão esperar por melhores ventos. Enquanto não sopram novos ventos, temos que manobrar com as armas que dispomos, e argumentos que sensibilizem as autoridades constituídas, para que elas exerçam seu dever de tentar colocar as coisas nos eixos. A vida é um eterno desafio. A dinâmica provocada pela globalização, notada em nosso segmento de turismo pela ocupação física de novos projetos de hotéis oriundos de sedentos grupos estrangeiros (altamente capitalizados, exauridos nas oportunidades em seus locais de origem, correndo de fenômenos da natureza e em busca de novos destinos). Enquanto nosso litoral está sendo ocupado por megaresorts, na outra ponta, falta ocupá-los com hóspedes. Buscá-los em nosso País é uma proposta inócua, pois a demanda é inelástica, nossa economia não responde, e não existem malhas rodoviárias e aéreas que atendam a essa demanda, principalmente nesta fase em que as rodovias estão sem manutenção, e o caos nos aeroportos virou escândalo permanente. Lembro de uma época em que tínhamos estradas e poucos carros. Hoje temos frota e falta estrada de qualidade. Os impostos agigantaram-se e viramos anões na malha viária. (*) É engenheiro.