Opinião
Vidas sob risco - Editorial
Chocante, a morte da jovem Andreza Daniele da Silva, deveria sacudir as autoridades e toda a área da saúde em Alagoas para a cruenta realidade vivida pelo estado. Morta aos 19 anos, a estudante ? que ganhava a vida honestamente trabalhando como babá ? representa uma prova insofismável da fragilidade do sistema de saúde em Alagoas. Conforme atesta reportagem da Gazeta de Alagoas de ontem, apenas neste ano de 2007, foram oficialmente ?notificados pela Secretaria Estadual de Saúde 5.377 casos suspeitos de dengue clássica, a forma menos nociva da doença. As suspeitas de casos mais graves somam 234, desses 93 foram confirmados como dengue hemorrágica, dengue com complicações e dengue com risco de gravidade?. Como é pública e notória a precariedade da assistência médica nas grotas, nos rincões, pode-se temer números maiores de ocorrências das dengues. Infelizmente. Não é a dengue um drama alagoano, isso é certo. Todo o Brasil padece dessa tragédia. Mas cada comunidade, cada Estado, tem a obrigação de travar seu combate pela vida sem se escudar nos revezes de outrem. A Alagoas interessam os resultados da luta pela saúde em Alagoas. E, especialmente no caso da dengue, não estamos bem. E, especialmente no caso do conflito entre funcionários públicos do sistema de saúde e o governo (e especialmente no caso de greve nessa área), a situação fica pior ainda. Não há como se desconhecer a gravidade do problema. Todos estão chamados a contribuir para o enfrentamento dessa tragédia. Como estão os investimentos governamentais nesse campo? Quais são as metas alagoanas nesse combate? (e estão sendo cumpridas?) Chega de prantearmos a perda de vidas; e chega de se fazer politicagem com a tragédia da saúde pública no Brasil.