Opinião
Ajustes nos tratados - Editorial
Para quem se preocupa com os perigos das drogas, e com o crime organizado a elas associado, foi entusiasticamente a notícia da prisão, em São Paulo, de um cidadão colombiano considerado um dos maiores traficantes do mundo. Ponto para a polícia brasileira. Deve ser aplaudida também a capacidade de articulação, informação e trabalho conjunto entre as forças policiais brasileiras e suas congêneres estrangeiras. O tráfico de drogas, desde tempos ancestrais, não pode ser enfrentado sem articulação efetiva entre países. Ao longo da história, as drogas mais danosas, produzidas em grande quantidade, tendem a ser consumidas em várias nações, daí o tráfico internacional ser uma prática criminosa com séculos de registros reais, chegando até a patrocinar conflitos armados entre países, como as duas ?Guerras do Ópio?, capitaneadas pela Inglaterra contra a China (a primeira entre 1839 e 1842; e a segunda, de 1856 a 1860), quando os britânicos legaram ao mundo a abominável atitude de guerrear para garantir ?os direitos de seus traficantes?. Corrigindo gestos condenáveis como esse, hoje, potências como o Reino Unido e os Estados Unidos empenham-se no combate internacional ao tráfico e aos traficantes de drogas. Especialmente os americanos têm se dedicado, através do DEA (Drug Enforcement Administration) a sistematizar essa guerra cotidiana. Ser parceiro desse esforço global é uma obrigação cidadã. E como visto ontem, as polícias estão razoavelmente bem articuladas. Mas, aparentemente, os tratados internacionais precisam modernizar suas determinações sobre as extradições de criminosos envolvidos com tais delitos. Não parece nada positivo a presença no Brasil ? seja livre, seja preso ? de um traficante internacional de tamanha periculosidade. É hora do Brasil estudar mudanças em sua legislação sobre esse tema.