Opinião
Disc�pulos e mission�rios
| CÔNEGO HENRIQUE SOARES* No Nordeste muito se tem falado em santas missões. Os bispos das igrejas diocesanas nordestinas decidiram investir forte no aspecto missionário. A Igreja de Cristo que está em Maceió, também ela, vai entrando, pouco a pouco, neste clima. Missão. A palavra vem do latim ?missio?, que significa envio. O missionário é um enviado. Foi o próprio Jesus, o Enviado do Pai, quem deu aos seus seguidores o mandato de ir e fazer discípulos seus todas as nações. Sendo assim, a Igreja não pode nunca deixar de ser missionária. No respeito à consciência dos outros, no reconhecimento do valor de outras religiões enquanto fator cultural e de humanização, mas sem em nada abdicar da convicção de que Cristo é o único caminho e a única verdade que Deus sonhou para a humanidade, a Igreja deve testemunhar e anunciar Jesus oportuna e inoportunamente. No nosso caso, a missão dirige-se sobretudo àqueles cristãos nominais que se encontram efetivamente distantes de Cristo e de sua Igreja. É necessário, portanto, sair ao encontro desses e reapresentar-lhes o Cristo, com todo o seu encanto e vigor. Mas, a missão não é uma propaganda, não é um trabalho de marketing, não é a comunicação de uma idéia. É, antes de tudo, o anúncio da pessoa de Jesus, a partilha de uma experiência, a contagiosa comunicação de uma alegria: experiência de ter encontrado Jesus, alegria de ter nele descoberto o sentido da vida. Quem encontrou Jesus, quem experimentou o seu amor, quem descobriu nele o rumo da existência sente-se impelido a anunciá-lo aos outros. Por isso mesmo, antes de ser missionário é necessário ser discípulo, alguém que experimenta e segue Jesus. Uma Igreja verdadeiramente missionária não somente anuncia, mas procura antes vivenciar; não somente fala de Jesus Cristo e propõe Jesus, mas primeiramente encanta-se com Jesus e o escuta fielmente. Eis, pois, o desafio para a nossa Igreja de Maceió: ser mais fiel, mais discípula, mais contemplativa, para verdadeiramente ser mais missionária, mais acolhedora, mais corajosa e mais capaz de anunciar ao mundo aquilo que o mundo por si só não poderá ter jamais: a vida, vida em abundância. Esta vida é Jesus, o Cristo nosso Deus! (*) É sacerdote e professor de teologia.