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O canal adutor do Sert�o – parte 2

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| ÁLVARO MENEZES * Um fato muito raro e positivo vem ocorrendo em Alagoas com a construção do canal do Sertão: a obra se transformou em um empreendimento do Estado de Alagoas, sendo priorizada por todos os governadores, desde Geraldo Bulhões. Paralelamente, há quase uma unanimidade das lideranças políticas na inclusão de emendas parlamentares ao longo dos anos para ir se tocando, meio sem ritmo, um dos maiores projetos de aproveitamento de recursos hídricos do Nordeste. Um surpreendente e gratificante exemplo de uso de um mesmo projeto por governos sucessivos, envolvendo o apoio de vários partidos políticos. Se o canal pode ensejar, sob o ponto de vista técnico e político, o alcance de bons resultados, por outro lado, é muito importante analisar os riscos de sua implantação, sem que se tenha uma definição já estabelecida sobre quem gerenciará esse sistema integrado de desenvolvimento que usará a água para viabilizar a metade do Estado de Alagoas e mudar os seus indicadores econômicos e sociais. Além disso, saber como se dará a venda dessa água é outro ponto importante. O canal não se viabilizará vendendo água para a Casal, pois esta empresa, talvez, nunca tenha uma demanda igual a 10% de sua capacidade final, que é de 32 metros cúbicos por segundo. Muito menos se pode afirmar que haverá menos custos para a companhia se ela comprar a água do canal. Se deseja realmente ter um canal que possa ser visto do espaço por astronautas, Alagoas deve começar, imediatamente, a se preparar para se adequar aos resultados que ele poderá trazer para o Estado conhecendo, em primeiro lugar, qual o seu custo-benefício? Onde realmente se poderá irrigar e por quanto? Quem se habilitará para ter acesso a esse projeto? Quanto custará a água para uso urbano? Não se pode esperar que uma estrutura hídrica como essa e um projeto de uso múltiplo e integrado das águas do canal, com o porte que se propõe, fiquem aguardando a conclusão pura e simples das obras de engenharia. É necessário viabilizar economicamente o sonho para que ele não vire um pesadelo financeiro para um Estado que, no governo atual, enfrenta grandes desafios para mostrar que com responsabilidade e profissionalismo é possível construir um final diferente e melhor para muitos. (*) É engenheiro civil e diretor comercial da Casal.

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