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Uma sa�da honrosa

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| Marcos Davi Melo * A greve dos médicos do serviço público estadual já passa dos 80 dias, a população mais pobre sofre ainda muito mais do que o de costume e não se vê solução imediata para o caos na saúde pública alagoana. A sobejamente conhecida condição de massa falida do Estado, não ajuda na solução da crise. De novo, embora tergiversando sobre o mais do que velho, do mais do que sabido, o deputado federal Augusto Farias vem a público afirmar que segundo alguns levantamentos preliminares que está fazendo, o custo dos poderes públicos alagoanos ? o Judiciário, Ministério Público, a Assembléia Legislativa e o Tribunal de Contas ? é um dos mais altos do Brasil. Isto por si só, o altíssimo custo do aparato estatal alagoano, que é o resultado histórico do acúmulo de privilégios auto-repassados, que como subproduto só deixa migalhas para a saúde, não explicaria totalmente a crise na saúde pública, mas ajudaria a entendê-la e a compreendê-la um pouco mais, o que infelizmente também não auxilia no encontro de soluções para a vexaminosa situação. Verdade incontestável: os médicos ganham uma miséria totalmente incompatível com as responsabilidades e o valor social de suas atividades. Desta forma, quem estiver esperando uma solução definitiva para a crise da saúde pública que venha a depender de uma ação beneficente dos atores, que por sua voracidade, muito contribuíram para que a situação chegasse ao que chegou, terá muita dificuldade em encontrá-la. Ou será que alguém acredita que O Judiciário, o Legislativo, o Tribunal de Contas, de forma espontânea e generosa, vão renunciar a parte de seus repasses para que os mesmos sejam destinados a um fundo público de solidariedade para a salvação do humilhado e miserável setor da Saúde Pública estadual? Para isto seria preciso antes de tudo, em primeiro lugar, espírito público para reconhecer a importância dos outros setores do serviço público e em segundo, solidariedade para contribuir na solução da crítica situação. Como na vida pública nacional a ética e a solidariedade, são virtudes das mais peregrinas e estão catalogadas entre as espécies em franca e rápida extinção, não se espere saída por aí. Resta, portanto, para o isolado e espoliado Executivo estadual, a procura de uma saída honrosa que dê aos médicos um mínimo de condições para voltar ao trabalho. Isto pode ser apenas o fruto de um desejo, o resultado de uma aspiração; mas a fração saudável da sociedade e, principalmente a comunidade carente, não pode perder esta esperança. (*) É médico e professor da Uncisal.

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