Opinião
Entre pais e filhos
| Milton Hênio * Hoje é o Dia dos Pais. Dia de reflexão para fazermos uma avaliação se estamos no caminho certo na condução dos nossos filhos. A criança precisa sentir a presença do pai para poder imitá-lo. Ela o ama intensamente, ainda mais nos primeiros anos de vida, e em decorrência desses anos, identifica-se com ele sem o perceber. Há filhos que tarde aprendem a amar os pais. Pais que raramente conseguem externar amor pelos filhos; são sisudos, introvertidos, introspectivos, secos por temperamento, e assim vivem a distância. Mas os anos passam e surgem momentos que promovem o reencontro, na doença ou instantes de alegria, quando pais e filhos se olham mais de perto, como se não houvesse outro tempo, outra hora melhor para uma boa conversa. Todo filho espera ser amigo do pai, ser acolhido por ele nas noites de insegurança, não importa a idade. Amor dos filhos que esperam correr para debaixo das asas do pai quando o tempo escurece, quando a vida decepciona, quando a esperança ameaça se apagar. É ao pai que a gente sempre recorre. É com ele que a gente quer se abri, chorar fracassos e participar alegrias. Queremos pais que nos ajudem a corrigir o rumo e que nos digam que a vida é simultaneamente bela e arriscada. Toda criança quer ter pais que além de provedores de teto e comida, lhes dêm amor, que saibam abraçá-los e beijá-los. Estamos vivendo em um mundo confuso, cheio de conflitos, de egoísmo, de violência. A grande responsabilidade, a grande missão dos pais neste século, é desenvolver o poder da responsabilidade aos seus filhos, mostrar-lhes a importância dos seus limites na caminhada terrena, criar-lhes um cenário de esperança para a continuação de novos rumos. Neste Dia dos Pais sejam eles festejados como próximos, amorosos e ternos. Sejam os filhos capazes de expressar todo o seu sentimento de amor. Que os pais e os filhos se conscientizem que o dom da vida é o bem maior a ser celebrado. E todos os pais recebem de Deus, o grande Pai, a recompensa do amor que demonstram. Do meu querido e saudoso pai guardo uma lembrança num dia chuvoso, lá no Parque Gonçalves Lêdo, onde residíamos. Eu tinha meus 10 anos. Ele me abrigou sob seu velho capote. Esta é uma das recordações mais significativas que um filho pode ter: sentir-se abrigado pelo pai. Foi um momento apenas, mas que me consolou pela vida toda. Que Deus seja o nosso Pai e abrindo os seus braços nos abrigue a todos. No tempo e na eternidade. (*) É médico ([email protected]).