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�rf�os do crime - Editorial

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Emblematicamente publicada no Dia dos Pais, a reportagem da Gazeta de Alagoas sobre as crianças atiradas à orfandade pelo crime de outrem descortina um drama humano ampliado pela burocracia e pela falta de investimentos sociais. Órfãos de pais trucidados na senda do crime, esses inocentes são multiplamente punidos pela destruição da família e de sua base social. Expõe tal realidade a fragilidade do Estado brasileiro em cuidar, lato sensu, de seus infantes desabrigados pela sorte. Aos desafortunados, desde a tenra infância, o Estado brasileiro negaceia a mão solidária, seja aos órfãos do crime, seja aos deserdados sociais. Apesar dos esforços dos conselhos tutelares e dos dispositivos legais estabelecidos no Estatuto da Criança e do Adolescente, as condições materiais são insignificantes em função das dimensões reais desse problema. Sem recursos, os centros (públicos e não-governamentais) dedicados à assistência do menor passam por grandes dificuldades em todos os Estados brasileiros. Sem nenhum programa consistente de planejamento familiar, multiplica-se a população em perigoso desordenamento e, nesse quadro, os menos favorecidos são as grandes vítimas. Sem condições de atender a imensa população de crianças carentes, os equipamentos estatais e não-governamentais sobrecarregam-se, tornam-se impotentes. Em tal situação, pioram muito as condições para filhos que perderam seus pais em função do crime, pois além da ruptura dos vínculos familiares, acrescenta-se o preconceito e a deseducação sobre essas inocentes vítimas. E o que a sociedade pode fazer? Em primeiro lugar, tomar conhecimento do problema. Em seguida, cobrar dos poderes públicos políticas e verbas adequadas para o enfrentamento dessa tragédia ? que pode se transformar num jardim da infância do crime, até por falta de exemplos positivos a seguir.

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