Opinião
Considerar as coisas pelo lado bom
| Dom Fernando Iório * Quer se trate de homens, de mulheres, de coisas ou de acontecimentos, se nos deixarmos influenciar pelos defeitos ou inconvenientes, pelo lado negativo, de certo seremos derrotados. Se, ao contrário, quisermos, guardar a calma, a serenidade, o bom humor, se resolvermos enfrentar as dificuldades da vida, devemos ser firmes em valorizar as qualidades de quantos nos cercam, ou as vantagens, às vezes escondidas, das circunstâncias em que nos encontramos. Um fracasso, uma decepção, as piores coisas têm seu lado bom, sendo até ocasião de uma advertência preciosa ou estímulo a um progresso que não teríamos alcançado, sem repetidos fracassos. Estou a lembrar-me de Abraham Lincoln que se serviu de suas numerosas derrotas para chegar à presidência dos Estados Unidos. O próprio fato de procurar em tudo os elementos positivos permite fazê-los valer mais e facilita a neutralização dos elementos negativos. Diante de uma rosa, há duas atitudes possíveis: ? entristecer-se porque as rosas têm espinhos, ou ? alegrar-se porque, sobre os espinhos, podem crescer as rosas. Da mesma maneira, diante de uma garrafa derramada, podemos ter a atitude negativa: ? Que pena! Ela estava quase cheia! Ou aquela positiva: ? Que sorte! Ela estava só pela metade! Tudo porque nada é mais contrário à cultura metódica do bom humor que uma atitude de crítica, de murmúrio e de recriminação. Sim, porque criticando as coisas e os acontecimentos, somos a primeira vítima de nossa crítica; murmurando, despojamos-nos da coragem necessária para superar a dificuldade; queixando-nos do que nos acontece, reforçamos a impressão de que as coisas vão mal, criando um ambiente desfavorável para tentar uma reação. Os grandes construtores foram realistas, otimistas, quando souberam descobrir, para edificar sua obra, as pedras, às vezes escondidas, que esperavam ser aproveitadas. Alguém me afirmava: quando meu interior grita, após um fracasso: ?eu estou triste?, procuro afirmar mais alto: ?eu estou contente?; se meu interior reclama: ?não tenho sorte?, eu respondo mais alto ainda: ?tudo vai bem?. A lembrança me vem da fábula de La Fontaine: ?O Velho e seus Filhos?: ? o verdadeiro meio de quebrar um feixe é despedaçar, uma a uma, as varetas que o compõem. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.