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Formigueiro social - Editorial

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Deve ser entendida como uma eloqüente demonstração da força desesperada pela sobrevivência o saque da antiga Ceasa. Não se trata de saque para mitigar a fome, como no caso dos célebres assaltos a mercados, feiras e veículos de transporte de comida. O citado ?saque a ex-Ceasa? não visa alimento, até porque a central de comercialização de hortifrutigranjeiros não mais funciona no endereço visado. Saqueiam, os excluídos, tudo o que possa lhes ser útil. Telhas, tijolos, portas, portões, janelas, lâmpadas, fios, torneiras... Se a polícia não se interpuser entre a turba e o alvo, toda a enorme construção desaparecerá de sua atual área. Será literalmente desmontada e partilhada entre um sem-número de sem-esperanças. Tijolos, telhas, portas, portões, janelas, lâmpadas, fios, torneiras... e tudo que possa ter algum uso será pulverizado nas incontáveis áreas (sub) residenciais que se espalham por Maceió, ocupando as margens da Lagoa Mundaú e todas as grotas possíveis e impossíveis de serem povoadas. Para se demolir um prédio em Maceió é desnecessário contratar uma empresa especializada. Implosão, então, nem pensar. Para um imóvel sumir do mapa, basta impedir sua ocupação pelos sem-teto e os sem-materiais-de-construção farão o serviço. É mais um ângulo do retrato da miséria e da exclusão social. Sinais do esgarçar continuado do tecido social que os poderes públicos fazem questão de ignorar, ou de lhes subestimar a importância e o perigo. Cenas como essa, do cerco e assédio a um imóvel visando sua partilha integral, deveria despertar nas autoridades (e nas lideranças empresariais) a compreensão de que algo mais que ?bolsa esmola? deveria ser feito pelo social. Ainda há tempo de se ousar mudar, mas é inegável que a situação piora a cada dia.

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