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A morte de dr. Eug�nio Ferraz

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| Emmanuel Cavalcanti * No dia 16 de agosto, faz quatro meses que seis pessoas morreram em queda de helicóptero no Espírito Santo. Estavam em missão de salvar vidas porque transportavam órgãos para transplantar em paciente sob risco de vida. Dentre os mortos o jovem médico alagoano Eugênio Ferraz. Passei a refletir sobre a incoerência da história. Como pode alguém em missão humanística morrer brutalmente e não completar sua tarefa. Lembrei de mim mesmo, de minha vida e minha particular história, do sonho de salvar vidas, minimizar o sofrimento das pessoas e lutar até minhas últimas forças pela medicina que serve e salva. Arte que com ética, respeita o cidadão e os companheiros de profissão e todos os demais da equipe em tarefa de tratar, acolher, ensinar e proteger. Voltei ao Pilar em 1971 quando ouvi na Praça da Matriz o resultado do vestibular, vibrando e abraçado aos amigos e amigas que vibravam comigo. A felicidade de meu velho pai Octacílio Cavalcanti e de minha mãe, a sonhadora e idealista, Benigna Fortes. Orgulho em casa, exemplo e esperança para tantos outros como eu que estudaram na provinciana Pilar, mais precisamente no Ginásio Nossa Senhora do Pilar e no Colégio Moreira e Silva. Sei bem o que significa porque meus filhos estão em preparação para servir ao povo, um no terceiro ano de Neurocirurgia e a outra fazendo Direito como a avó materna. Ia ser cirurgião, terminei psiquiatra por causa de Hirtys, minha esposa, por quem me apaixonara. Passei a ver a alma e a dor decorrente do adoecer mental. Mais empenhado ainda me tornei para exercer a missão. Hoje, na presidência do Cremal luto com meus fiéis companheiros pela honra dos médicos, empobrecidos, vilipendiados, acusados e ofendidos, acuados por 30 anos de ataques e invasões a seu mister. Lamento que tenhamos chegado a tal situação, principalmente porque os mentores deste desmonte de uma classe estão no governo de nosso País, às vezes médicos, que discursam contra a medicina ao invés de procurar os que negligenciam. É o jogo do menor esforço. Eugênio morreu possivelmente pensando da mesma forma que eu e meus mais de 300 mil co-irmãos que não tem outro objetivo na vida a não ser ?fazer o melhor para aliviar a dor de quem nos procura?. Senti então a dor de sua família e lamentei profundamente. (*) É médico e presidente do Conselho Regional de Medicina de Alagoas.

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