Opinião
D�bitos paralisantes - Editorial
Desde que surgiu, com estardalhaço, no cenário alagoano, há cerca de uma década, a dívida pública alagoana transformou-se numa assombração permanentemente, aterrorizando as (sempre) estremecidas finanças do Estado. Segundo o divulgado pela imprensa, a mordida mensal federal teria variado entre 15% e 22% contra o esquálido tesouro caeté. Um pouco mais, um pouco menos, são valores assustadores. Para o grande público, esse é um problema de distante compreensão e mesmo os servidores em greves constantes pouco relacionam essa sangria com as vicissitudes recorrentes do erário. Afinal, quanto mesmo deve o Estado de Alagoas? Os precatórios têm algo a ver com isso? As famigeradas ?Letras? estão nesse bolo? Existem formas de se renegociar esse parcelamento? Quanto já foi pago até hoje? Pela imprensa, quem presta mais atenção ao tema vai identificar que o Estado de Alagoas tem uma dívida para com a União de cerca de seis bilhões de reais (uns dizem R$ 5,6 bi, outros R$ 5,8 bi) e desembolsa todo mês algo como R$ 37 milhões. Há pouco, a Assembléia Legislativa anunciou a formação de uma comissão para estudar esse caso. E sabe-se que, desde os primeiros meses de gestão, a Secretaria de Estado da Fazenda está trabalhando com uma equipe especialmente designada para esmiuçar todo o processo de formação dessa dívida pública (e de outros débitos, como os precatórios). São estudos essenciais e bom será se forem feitos sem açodamento, unindo velocidade à eficiência, sem ter como objetivo os holofotes midiáticos e sim visando o esclarecimento dessas questões e a elaboração de novas propostas para o enfrentamento do problema. Alagoas precisa ir além dos discursos sobre as dificuldades e saber corrigir suas contas, ousando apresentar propostas verdadeiramente inovadoras.