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Autores e livros

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| Gilberto de Macedo * A publicação de um livro é, geralmente um acontecimento auspicioso. É que, à primeira vista, traz expectativa de ser veículo de uma nova mensagem. E que esta possa ser capaz de contribuir para o progresso cultural que a comunidade merece, assim de antemão, elogios bem intencionados dos que apreciam ler, e das instituições envolvidas neste mister. Um livro pode ser representativo da própria sociedade onde acontece, ou iniciador do interesse cultural na mesma. Como diz o grande poeta Mallarmé (Resposta ao Inquérito de Jules Huret): ?No fundo o mundo é feito para acabar num belo livro?. Livro com conjunto de textos, enfeixados por temas definidos que digam do seu gênero e atendam ao título. Bem escrito, de acordo com as regras da estilística. Com originalidade. Uma contribuição. Livro que seja, portanto, capaz de engrandecer o autor, e até seu tempo. Uma representatividade valorosa capaz de levar à admiração dos leitores esclarecidos. Por isso, há de se apreciá-lo pela óptica da estética, conforme a observação de Oscar Wilde (O Retrato de Dorian Grey): ?Não há livros morais e livros imorais. Há livros bem escritos e outros mal escritos. E só?. Assim, é da responsabilidade do autor procurar escrever bem, e cada vez melhor, pois é do seu compromisso com o leitor. Cabe lembrar a propósito a justa advertência do filósofo Blaise Pascal (Pensamentos): ?Certos autores, falando em seus trabalhos, dizem: meu livro, meu comentário, minha história, etc; cheiram a burgueses que tem casa própria e tem um ?lá em casa? na boca. Seria melhor que dissessem: nosso livro, nossa história, etc, visto como em suas obras há mais bens alheios do que próprios?. Que dizer, há de ser modesto, simples, sem presunção, com autocrítica. Cada autor tem seu mérito. Cada livro tem sua qualidade. Essas breves considerações optativas vêm a propósito do aparecimento, em nosso meio, de vários livros de autores, veteranos e novatos. E tempo dirá do valor dos mesmos. Por enquanto, tratemos de incentivá-los à produtividade cada vez mais aperfeiçoada. É um comportamento louvável, sobretudo nos tempos atuais, em que os interesses materiais e econômicos sobrepõem-se aos intelectuais. Diz do ideal vocacional de cada um. É que, afinal, escrever é um ato louvável, quando bem expresso. Revela o cultivo da inteligência a serviço da cultura. Com autenticidade que mostra a grandeza do espírito. (*) É médico.

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