Opinião
O sistema � culpado
| Alari Romariz Torres * Estamos horrorizados com o rumo tomado pelo Brasil nos últimos anos. A classe política passa por várias fiscalizações da Polícia Federal, com resultados estarrecedores. É preciso analisar friamente o processo de eleições no País e, principalmente, em nosso Estado. Para se eleger um deputado estadual torna-se necessário contar com mais de 500 mil ou 1 milhão de reais. Para deputado federal e senador não sabemos nem avaliar o valor dos recursos a serem utilizados. Partamos então, para verificar os eleitos. Será que eles têm tanto dinheiro para investir em suas campanhas? Na grande maioria contam com o apoio de empresas privadas. Não somos tão tolos a ponto de imaginar a não existência do célebre jogo político: ?É dando que se recebe?. Foi-se o tempo em que o idealismo funcionava para o eleitor e para o próprio político. Lembro-me de Aurélio Viana, professor, funcionário público, conseguiu ser deputado estadual e deputado federal por Alagoas e ainda senador pela Guanabara, apostando no socialismo. Atualmente é difícil dizer quem é do partido tal ou do partido qual. Oposição e governo são motivo de piada: o moço se elege contra o Théo e antes de assumir já está do seu lado. Passam-se os anos e o político cresce em número de votos na mesma proporção em que aumenta seu patrimônio. Por mais que nos esforcemos não dá para entender de onde vem tanto dinheiro. A votação do Orçamento é outro filão. Existem emendas destinadas a obras e a empresas difíceis de serem explicadas. Aparecem as associações com nomes de parentes dos parlamentares para onde seguem os recursos, algumas até, de utilidade pública. Alguns partidos de esquerda que nos alentavam um pouco com leve esperança de idealismo andam pelo mesmo corredor de corrupção e impunidade. Os ?poca-urnas?, alguns visionários, outros aproveitadores, são vistos pelos políticos profissionais como malucos, servindo apenas para receber alguns votos, colaborando com o coeficiente eleitoral. São realizadas reuniões durante as campanhas para administrar os pobres coitados: recebem gasolina, algum dinheiro e o direito de falar nos comícios. De repente, estoura um fenômeno político, tipo Enéas Carneiro, Cícero Almeida, Sabino Romariz. Uns sobrevivem, outros mais tolos, morrem no esquecimento. Depois da eleição tudo muda de figura. O eleito sempre se esquece do que prometeu. (*) É funcionária pública aposentada.