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Riscos naturais - Editorial

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Desconsiderar a Natureza sempre é uma atitude perigosa. De uma forma ou de outra, o homem tem sofrido duras lições ? e, infelizmente, teima em desaprender. O recente avanço da maré na Praia do Francês, engolindo parte de uma barraca, deveria ser encarado como mais um aviso do meio ambiente, lembrando a necessidade de respeito e observação de cuidados mínimos para uma convivência natural. Ao longo de nossa história, certas áreas têm sido ocupadas em completa desatenção às regras da Natureza. Nessa lista podem ser incluídas áreas valorizadas e regiões menosprezadas pela especulação imobiliária. As mais diversas camadas sociais são, ao mesmo tempo, agressoras e vítimas das dinâmicas do meio ambiente. Pois não é estática a Natureza. Tudo está sempre em movimento e compreender essas dinâmicas tem sido a chave do sucesso das comunidades humanas, sendo um dos exemplos mais conhecidos o caso de sucesso do antigo Egito, quando uma das civilizações mais prósperas da história da humanidade foi edificada tendo como ponto de partida a correta compreensão das cheias do Rio Nilo. Milhares de anos depois, na maioria dos lugares do mundo, fenômenos naturais como cheias e secas ainda flagelam comunidades inteiras, numa punição recorrente contra a ignorância. Em Alagoas, temos, há séculos, nos descuidado na ocupação de ravinas (grotas), margens lacustres, ribeiras, etc. As marés têm sido igualmente relegadas, não obstante serem consideradas ?patrimônio da União? na definição das ?terras de marinha?. Existem mesmo regras para ocupação das orlas? Se existem, baseiam-se em quais critérios? Como os poderes públicos estão se posicionando em relação ao avanço da construção civil sobre essas áreas? Sem normas, sem fiscalização, o problema só tende a aumentar.

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