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A quem n�o interessa a CPMF?

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| Guilherme Cardoso * Só pode ser quem não quer transparência, justiça tributária, simplificação, eficiência, impossibilidade de sonegação. Alguém, algum grupo, organizado ou não, que se enriquece na marginalidade, usando a rede bancária para negócios escusos, como caixa-dois, tráfico, lavagem de dinheiro e transações sem notas fiscais. Podem ser bancos, instituições financeiras, micro, pequenas e grandes empresas, pessoas físicas, bandidos, traficantes, corruptos e corruptores do setor público e privado. Todos que levam vantagem com o complexo sistema tributário brasileiro. Esse movimento encabeçado pela Fiesp contra a CPMF está fora de hora. Vem na contramão da lógica, do bom senso e da luta contra a sonegação. Dizer que a CPMF é imposto cascata, cumulativo, que aumenta os custos, onera os preços e impede o crescimento e a competitividade das empresas é um exagero e uma injustiça. Outros impostos como o ICMS, ISS, PIS, Cofins têm os mesmos defeitos e não se fala em acabar com eles. Como está agora, como mais um tributo, a CPMF desagrada e com razão. Nenhum trabalhador ou empresário gosta de pagar qualquer imposto, ainda mais quando julga ser apenas mais um, e indevido. Mas não se podem negar as vantagens e benefícios da CPMF. E o mais importante é que ela tributa a todos, indistintamente, e não permite sonegação. A CPMF é um imposto justo. A sua base de cobrança é ampla. Por ser um tributo eletrônico, ela atinge a todos que movimentam dinheiro em bancos, desde o aposentado, o cidadão que trabalha na informalidade, quem está empregado, micros, pequenas, médias e grandes empresas. É mais tributado quem movimenta mais na rede bancária. Sejam transações legais ou ilegais. A alíquota da CPMF atinge inclusive as grandes movimentações financeiras de traficantes, a lavagem de dinheiro e o caixa-dois da maioria das empresas. Não se justifica um movimento desses para acabar com a CPMF. O que a Fiesp ? Federação das Indústrias de São Paulo e os demais empresários do País deveriam fazer neste momento é apoiar o governo para que essa cobrança seja mantida, agora como imposto, sugerir que se aumente a sua alíquota gradualmente, e negociar que na mesma proporção sejam extintos outros impostos. Afinal, não é a simplificação e a redução da carga tributária e o fim da sonegação que a classe empresarial vem pedindo há tanto tempo? Participando de movimentos como um tal Xô CPMF, a impressão que os empresários deixam para os demais brasileiros é que não querem reforma tributária. (*) É jornalista em Belo Horizonte/MG.

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