Opinião
Chance de mudar - Editorial
Pelas contas da ONU (Organização das Nações Unidas), aproximadamente 42% da população mundial ? algo como 2,6 bilhões de pessoas ? vive (sobrevive) sem saneamento básico. Apimentando essa constatação, uma entidade não-governamental intitulada End Water Poverty (Acabar com a pobreza hídrica, numa tradução mui livre), exemplificou que nessas áreas desassistidas não existiriam ?banheiros públicos ou privados em parte alguma?. E o debate, na Europa, esquenta sobre o tema. Infelizmente, nós, os brasileiros, temos dado pouca importância a esse tema essencial. Emitem-se declarações preocupadas aqui e ali, mais pelas ONGs e menos pelos poderes públicos. Mas ninguém ousa aprofundar tais falas, nem muito menos avançar em projetos reais sobre uma espécie de Plano de Aceleração do Saneamento Básico. Especialmente é preocupante a situação da infância vivente nesses bolsões de excluídos do saneamento básico. Segundo a ONU, dentre esses 2,6 bilhões de marginalizados estão inclusas cerca de 980 milhões de crianças. Segundo a Unicef, a cada ano, morrem aproximadamente 1,5 milhões de crianças por conta de moléstias derivadas do mau saneamento, da má higiene e da água insegura. E no Brasil, temos dados seguros dos prejuízos sofridos pela população desamparada dos serviços de saneamento básico? De toda forma, estamos diante de uma boa ocasião para sistematizar nossos dados sobre essa chaga aberta e elaborarmos planos reais e exeqüíveis. A oportunidade é o Brasil fazer boa figura já em 2008, pois o próximo ano foi definido (desde 2006, pela Assembléia Geral da ONU), como o Ano Internacional do Saneamento. Aproveitando essa mobilização internacional, os poderes públicos e as entidades não-governamentais do Brasil deveriam se unir num esforço pela superação desse problema em nosso País.